Lembrar é resistir: 40 anos da invasão da PUC-SP

Reportagem da TV PUC tem fotos e vídeos da ação truculenta realizada na PUC-SP em 1977

por Thaís Polato e TV PUC | 13/09/2017 - 10h

É permitido falar, sim, coronel. Há 40 anos, tropas da Polícia Militar invadiam a PUC-SP, no campus Monte Alegre, para prender estudantes, professores e funcionários, em plena ditadura militar. À frente da violenta ação, estava o coronel Erasmo Dias, então secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo.

Diante das quase mil pessoas que foram arrancadas de suas atividades universitárias e acuadas em um estacionamento em frente à Reitoria, o coronel berrou: “É proibido falar. Só quem fala aqui sou eu”. Mas a PUC-SP nunca se calou.

40 anos depois, é importante lembrar. Lembrar para resistir. Vamos falar da invasão.

A noite de 22 de setembro ficou marcada por um rastro de destruição, truculência e depredação na PUC-SP, nas paredes e nas pessoas. Houve quem sofreu queimaduras graves.

Por volta das 21h, estudantes faziam um ato público na porta do Tuca para celebrar a realização do 3º Encontro Nacional de Estudantes, que havia sido proibido pelo regime militar. Comemoravam também a reorganização do movimento estudantil e da União Nacional dos Estudantes, que atuava na clandestinidade. Tropas policiais chegaram ao campus atirando bombas sobre os manifestantes. Em seguida, entraram na Universidade para prender professores, estudantes e funcionários.

Na operação dentro da PUC-SP foram usadas bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral. Em seguida, sob golpes de cassetete e ofensas, as pessoas foram conduzidas para um estacionamento que havia na rua Monte Alegre, esquina com a Bartira. Houve triagem e 900 foram levadas em ônibus para o prédio do Batalhão Tobias de Aguiar.

Em 1977, presidente do país era Ernesto Geisel. A PUC-SP se destacava naquele momento como um local de resistência ao regime militar e luta pela redemocratização. Em julho do mesmo ano, havia sediado a 29ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que havia sido proibida pela ditadura de ocorrer em universidades públicas.

Internamente, a PUC-SP também tinha um caráter democrático mal visto pelos setores mais conservadores do governo. Nos anos 70, foram criadas as associações de Professores (Apropuc) e Funcionários (Afapuc). Em 1980, a Universidade realizou eleições diretas para o cargo de Reitor, algo inédito entre as universidades brasileiras. A eleita foi a professora Nadir Gouvêa Kfouri, a mesma que enfrentou Erasmo Dias na invasão à PUC-SP.

Veja aqui a programação completa dos eventos que marcam a semana dos 40 anos.

 

 

 

 

 

 

 

Assista a seguir, reportagem de Letícia Sepúlveda para a TV PUC, com o depoimento de duas pessoas que estavam no campus Monte Alegre, no dia da invasão. A matéria também traz fotos e imagens do dia 22/9/1977.

 

Nesta outra matéira da série "Lembrar é resistir", o prof. José Arbex (Jornalismo) analisa o impacto da ação na PUC-SP para o fim da ditadura no Brasil. Assista à reportagem de Rogério Dias para a TV PUC.

 

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