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Reunião ordinária também foi marcada por cobranças dos estudantes sobre infraestrutura dos campi, investimentos em pesquisa, transparência da Mantenedora e relações de trabalho na Universidade.

O Conselho Universitário (Consun) da PUC-SP voltou a discutir, nesta quarta-feira (26/8), as medidas para o encerramento da carreira docente e a criação da categoria de Professor Sênior. O assunto havia sido debatido em reunião extraordinária realizada em 3 de julho, quando Consun e Consad aprovaram proposta para estabelecer condições de encerramento da carreira docente. O tema envolve o desafio de promover a renovação acadêmica sem deixar de reconhecer a trajetória de docentes que dedicaram décadas à construção da Instituição, que completa 80 anos em 2026.
Durante a reunião ordinária, a Associação dos Professores da PUC-SP (APROPUC) apresentou uma carta aprovada em assembleia da instituição. O documento apontou diferenças entre a proposta discutida e aprovada pelos Conselhos e o conteúdo dos Atos Conjuntos nº 2 e nº 3 de 2026. O presidente, Prof. Dr. João Batista Teixeira da Silva, explicou que a maior preocupação dos professores reside na natureza da medida. A posição da entidade é que o mecanismo instituído pelos atos não corresponde a um Plano de Demissão Voluntária (PDV) tradicional, de caráter coletivo e com participação da representação sindical, mas estabelece a possibilidade de acordos individuais entre cada docente e a mantenedora Fundação São Paulo.
O Reitor da PUC-SP, Prof. Dr. Vidal Serrano Nunes Júnior, reconheceu que houve alterações por unilaterais, por parte da Mantenedora, entre a proposta acordada, inclusive no âmbito do CONSAD, e o texto final apresentado para assinatura. Segundo ele, diante do risco de a uma nova negociação com a mantenedora não avançar, a Reitoria, com apoio de 9 dos 10 diretores de faculdades da PUC-SP, optou por preservar pontos considerados fundamentais pelos professores, especialmente a garantia do plano de saúde vitalício e assinar os atos. A medida, conforme afirmou, representa um avanço em uma discussão que ocorre há anos na Universidade. Ele também lembrou que o Estatuto da Universidade estabelece os 75 anos como marco para o encerramento da carreira docente, mas não detalha como esse processo deve ocorrer. A ausência de regulamentação manteve por anos uma questão sem solução prática na Universidade. Nessa perspectiva, os atos representariam um primeiro caminho para essa transição necessária, que poderá incluir ou o desligamento por adesão do professor ou a possibilidade de passagem à condição de Professor Sênior.
Conselheiros ponderam impactos das medidas
Os conselheiros reconheceram o avanço da negociação da Reitoria com a mantenedora em uma questão prioritária e consensualizaram apoio aos atos publicados, mas expuseram preocupações acerca da implementação das medidas. Entre os pontos abordados estão os efeitos da redução da carga horária prevista para a categoria de Professor Sênior, o que foi inserido no ato, unilateralmente pela Mantenedora, de forma diversa daquela acordada em reunião do CONSAD. O Conselho defendeu que essa e outras questões controvertidas sejam mantidas em diálogo com a Fundasp, sem prejuízo da implementação dos atos publicados.
O representante discente da Faculdade de Ciências Sociais propôs que professores e unidades acadêmicas mantenham uma atuação conjunta nas negociações. O estudante afirmou que, se a intenção é buscar melhorias nos atos e preservar o que já foi conquistado nas negociações, o processo deve ocorrer de maneira articulada. “Nós temos de agir de forma rigorosamente coletiva e unida”, afirmou. Para o representante, negociações realizadas separadamente enfraquecem a atuação política do Consun.
Ao final, ficou estabelecido que o tema permanecerá sob acompanhamento do Consun. A aplicação das medidas e seus impactos acadêmicos deverão voltar às próximas reuniões do Conselho, com maior atenção às questões envolvendo redução de carga horária, desligamento e reposição de professores, e os efeitos da transição sobre a graduação e a pós-graduação.
A diretora da FEA, Profa. Valdenise Leziér Martyniuk, reforçou a importância desse acompanhamento para que o debate passe a considerar os efeitos concretos em cada unidade acadêmica. Segundo ela, as faculdades apresentam realidades distintas e será necessário observar como a transição e a reposição de docentes ocorrerão na prática.
Estudantes cobram Fundasp por infraestrutura e relação com trabalhadores
Uma carta aberta assinada pelo Centro Acadêmico Vital Brazil (Medicina) e o Centro Acadêmico de Relações Internacionais (CARI) foi lida e entregue aos demais conselheiros.
O teor da carta foi publicado nas redes sociais das entidades. Clique aqui para ler a íntegra no perfil do CARI e no perfil do CA Vital Brazil.
O documento critica a precariedade da infraestrutura dos campi, especialmente a biblioteca de Sorocaba, interditada há quase três anos, e os baixos investimentos em pesquisa frente à arrecadação da mantenedora, expondo o aumento da truculência e das dificuldades nas negociações da mantenedora com todas as instâncias representativas: Reitoria, APROPUC, AFAPUC e entidades discentes. No texto, os estudantes exigiram eficiência e transparência da Fundação São Paulo na gestão de recursos e nas relações de trabalho na PUC-SP, denunciadas pelas entidades representativas APROPUC e AFAPUC. O representante discente cobrou maior transparência da mantenedora e relatou ter solicitado acesso a contratos privados da Fundação São Paulo, como no caso da plataforma eletrônica EducaOpen, recém-contratada para gerenciar o processo de verificação de documentos dos alunos com bolsa filantrópica Prouni e FUNDASP das instituições mantidas. Até o momento, conforme informado, não houve resposta.