BOAS HISTÓRIAS DOS CALOUROS DA MEDICINA: PBL desafia Lucas a assumir papel ativo na construção do próprio aprendizado

Nesta série de três matérias especiais, apresentamos trajetórias de estudantes do primeiro ano de Medicina da PUC-SP que enfrentaram desafios, encontraram apoio e transformaram o primeiro semestre em uma experiência de crescimento

Quando ingressou no curso de Medicina da PUC-SP, Lucas Fernandes encontrou uma nova forma de aprender – bastante diferente daquela à qual estava habituado. Em vez de apenas assistir às explicações dos professores e estudar os conteúdos apresentados em aula, passou a ser estimulado a pesquisar, discutir, identificar suas próprias dúvidas e participar ativamente da construção do conhecimento.

Agora, já no segundo semestre, Lucas encontrou no Problem-Based Learning (PBL), ou Aprendizagem Baseada em Problemas, um dos principais desafios e também um dos aspectos mais enriquecedores desse início da graduação.

Para ele, a mudança é significativa porque grande parte dos estudantes chega à universidade após anos de contato com modelos de ensino nos quais o professor ocupa uma posição mais central e o aluno tende a assumir uma postura mais passiva. “O PBL dá muita autonomia. O estudante começa a entender o próprio processo de aprendizado e a perceber o que funciona melhor para compreender determinado conteúdo”, afirma.

 

Aprender também com o outro

A experiência nas tutorias mostrou a Lucas que o método não se restringe à busca individual pelo conhecimento. As discussões em grupo também ajudam a identificar dúvidas, perceber diferentes maneiras de compreender um mesmo assunto e desenvolver habilidades que serão importantes na futura atuação profissional.

Lucas destaca a experiência vivida nas tutorias conduzidas pela professora Débora Aparecida Rodrigueiro. Segundo ele, a dinâmica das discussões permite que os estudantes participem de maneira equilibrada e aprendam não apenas com o conteúdo pesquisado, mas também com as contribuições dos colegas.

“Durante uma discussão, você percebe lacunas no seu aprendizado, mas, ao mesmo tempo, desenvolve habilidades sociais, como saber ouvir o outro, complementar uma ideia e encontrar a melhor maneira de explicar alguma coisa”, conta.

Para ele, esse exercício é particularmente importante porque uma mesma explicação nem sempre funciona da mesma maneira para todas as pessoas. Ouvir diferentes interpretações e aprender a apresentar um assunto sob outras perspectivas amplia, segundo Lucas, as possibilidades de compreensão.

 

Da postura passiva à autonomia

A adaptação também exigiu uma mudança na forma de organizar os estudos. Lucas percebeu que não bastava acompanhar aulas e registrar as informações transmitidas pelos professores. Era necessário identificar aquilo que ainda não dominava, estabelecer prioridades e buscar maneiras de preencher essas lacunas.

Isso não significa, ressalta, que as aulas tradicionais tenham perdido importância. Elas continuam oferecendo a sustentação teórica necessária à formação. A diferença está na combinação entre esses momentos e aqueles nos quais cabe ao próprio estudante investigar, refletir e decidir como avançar. “Há momentos em que o aluno precisa sentar sozinho e perceber o que precisa fazer, quais são as prioridades, quais problemas precisa resolver e como vai fazer isso”, explica.

 

Um aprendizado que vai além do conteúdo

Lucas reconhece que essa mudança cobra mais do estudante. O PBL exige participação constante, preparação para as tutorias e envolvimento ao longo da semana. Em sua avaliação, porém, o esforço adicional traz resultados que ultrapassam o desempenho acadêmico. “A nossa postura precisa ser muito mais ativa. É mais energia investida, mas acredito que o resultado seja positivo enquanto alunos.”

Entre os ganhos que identifica estão justamente a autonomia, a capacidade de comunicação, a escuta e a disposição para analisar um problema por diferentes perspectivas. Competências que, para Lucas, não serão importantes apenas durante os anos de faculdade. “Esta autonomia será muito importante para a vida profissional”, conclui.

 

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