PUC SP na Mídia: Rejeição de indicado ao STF abre debate sobre efeitos institucionais
Prof. Georges Abboud comenta ao Times Brasil as implicações da decisão do Senado.
Prof. Kojo Koram (Birkbeck, Universidade de Londres) participa de eventos na PUC-SP em torno do tema da política de drogas
Intercâmbio internacional entre universidades, parceria com o poder público, articulação com a sociedade civil e um grande desafio pela frente: refletir e propor ações práticas em torno do tema da política de drogas.
O prof. Kojo Koram (Birkbeck, Universidade de Londres) participou do evento Associativismo canábico, Justiça Social e Direito à Saúde, no último dia 15/4, no campus Monte Alegre. Esta foi uma das atividades que o docente integra, durante sua temporada de duas semanas no Brasil.
O pesquisador está no país a convite do programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas de Relações Internacionais (Unesp/Unicamp/PUC-SP) e do Mestrado Profissional em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais (PUC-SP), em projeto coordenado pelo prof. Paulo Pereira, com financiamento Fapesp.
“A política de drogas é um tópico de discussão no mundo todo. É muito importante termos parceria com um país tão influente na região, como é o Brasil, para que possamos criar boas soluções”, afirma Koram.
“Muitas mudanças estão acontecendo neste momento para que danos sejam minimizados e o Brasil pode tanto absorver estas experiências internacionais como pautar outras. O mundo inteiro pode aprender com as experiências em curso, e isso é parte do que torna tão interessante trabalhar na área neste momento: aprender com diferentes realidades para criar algo novo e animador”, ressalta o pesquisador.
A mesa-redonda Associativismo canábico, Justiça Social e Direito à Saúde já foi um primeiro passo neste sentido. Além de Koram e Pereira, participaram Cidinha Carvalho (Associação Cannabis e Saúde), Gabriella Arima (Rede Reforma), Renato Filev (Plataforma Brasileira de Política de Drogas) e Alex Barcellos (Iniciativa Negra por uma Nova Política de Drogas).
O debate foi parte de um projeto de articulação com a Defensoria Pública do Estado de São Paulo e organizações sociais, para a elaboração conjunta de uma nota técnica destinada a Associações de Cannabis para fins medicinais. Segundo Surrailly Fernandes Youssef, defensora Pública do Estado de São Paulo e coordenadora auxiliar do Núcleo Especializado de Cidadania e Direitos Humanos, o documento deve estar pronto até o final deste ano.
O principal objetivo é oferecer orientações jurídicas que possibilitem a essas associações ingressarem com pedidos judiciais de cultivo, sempre que houver interesse, garantindo o acesso a produtos terapêuticos à base de cannabis, além de outros direitos relacionados à saúde.
“É extremamente importante que possamos, enquanto sociedade, pensar juntos em soluções. A parceria com a universidade e a possibilidade de conhecer experiências internacionais, como a do prof. Kojo Koram, ajudam a qualificar ainda mais nosso trabalho como defensores públicos que atuam na ponta, atendendo a população”, afirma Surrailly.
A defensora pública destaca ainda a necessidade de se promover mudanças culturais em torno da Cannabis. “A parceria também é importante porque pode trazer um novo olhar para a sociedade nas reflexões que temos no Brasil, para que se entenda que a criminalização e os obstáculos enfrentados pelas pessoas para conseguirem seus medicamentos impactam diretamente no acesso ao direito à saúde”, afirma Surrailly.
Dever éticoA participação do prof. Kojo Koram se estendeu a outros eventos na PUC-SP. O pesquisador e ativista participou de uma aula da disciplina optativa Drogas em Perspectiva Internacional: criminalização, violência e capitalismo, ministrada no curso de Relações Internacionais. Na ocasião, abordou o tema Racismo e drogas como herança colonial, trazendo reflexões sobre os impactos históricos e contemporâneos das políticas de drogas nas populações racializadas.
Koram participou também de uma reunião com o Grupo de Pesquisas Internacionais sobre Políticas de Drogas (NETS) e do programa Terra em Transe, do Grupo de Estudos de Conflitos Internacionais (GECI), com o tema Reparações e Novas Políticas de Drogas em Perspectiva Internacional.
Parceiro acadêmico há alguns anos de Koram, o prof. Paulo Pereira ressalta a importância da presença do colega. “A articulação internacional é fundamental, porque nos permite ter contato com pesquisadores que estão elaborando novas formas de conhecimento em outros lugares do mundo e colocá-las em contato com o que temos feito sob a perspectiva brasileira. Pensar nosso país é um bem enorme que a universidade não só pode mas tem o dever ético de fazer”, defende o docente da PUC-SP.