Tradição de pai para filho permanece há décadas na FCMS

Ao longo da história da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde (FCMS) da PUC-SP, muitos pais e filhos compartilharam não apenas o convívio familiar, mas também a Medicina, os corredores da instituição, as salas de aula e o compromisso com o cuidado e a formação profissional. Alguns foram alunos da própria Faculdade, tornaram-se professores e, anos depois, acompanharam de perto a trajetória acadêmica dos filhos e, até mesmo, netos. Em várias dessas famílias, o vínculo com a FCMS atravessou gerações e também se estendeu à docência. O melhor de tudo é que a tradição permanece até os dias atuais.

Esse legado pode ser reconhecido tanto por médicos que já consolidaram suas carreiras quanto por estudantes que estão dando os primeiros passos na graduação. É o caso da caloura Giovanna Aparecida Dearo Salmazo, filha do cardiologista e docente Péricles Salmazo, integrante do corpo clínico do Hospital Santa Lucinda, que inicia agora sua própria trajetória na mesma instituição em que o pai ensina e atua.

Seria impossível reunir, em uma única matéria, todas as histórias construídas ao longo de tantas décadas dentro deste contexto. Por isso, os depoimentos apresentados a seguir representam simbolicamente a homenagem da FCMS a todos os pais, sejam eles médicos, professores ou profissionais de outras áreas. A instituição presta também um agradecimento especial àqueles que, além de acompanharem a formação dos próprios filhos, dedicaram parte da vida ao ensino e à preparação de novas gerações de médicos.

Neste Dia dos Pais, celebrado em 9 de agosto, docentes, médicos e uma estudante da FCMS contam como o exemplo paterno influenciou suas escolhas, seus valores e a maneira como enxergam a Medicina.

Luiz Ferraz de Sampaio Neto, filho de Luiz Ferraz de Sampaio Júnior (ex-diretor da FCMS)

“Meu pai não era apenas um pai dedicado e muito querido. As saudades que sentimos dele [seu falecimento ocorreu em 1988] somente crescem conforme os anos passam. Ele era também um exemplo de médico, que atendia todas as suas pacientes com empatia e respeito. “Dirigia-se a cada uma delas com respeito e formalidade, tratando-as por ‘minha senhora’, até mesmo aquelas que eram décadas mais novas do que ele”, relembra.

“Além disso, era um professor excepcional, motivador e inspirador para gerações de estudantes de Medicina que, assim como eu, somente guardam boas lembranças suas. Tive o enorme prazer de ser seu auxiliar alguns anos após concluir minha residência médica e o acompanhava nas consultas e nas cirurgias de suas pacientes.”

“Seu profissionalismo sempre me remete ao último dia em que operou. Ele já estava bastante doente, mas, mesmo cansado, realizou três cirurgias durante uma jornada de seis horas seguidas. Nas duas últimas, operou sentado. No dia seguinte, foi internado na UTI, onde faleceu dez dias depois. Ainda assim, ao final da terceira cirurgia, seu olhar brilhava por ter

conseguido superar suas dificuldades. Ética, conhecimento científico e respeito são valores que todos os que conviveram com ele puderam aprender.”

Carlos Hübner, filho de Hudson Hübner (ex-diretor da FCMS)

“Tive uma enorme sorte de crescer com um pai amoroso, carinhoso e muito próximo de nós. Minhas lembranças da primeira infância, porém, são de um pai pouco presente fisicamente, porque ele trabalhava praticamente de sol a sol e, muitas vezes, entrava pela noite atendendo pacientes. Dividia o tempo entre as aulas e as atividades no hospital da Faculdade, um consultório com grande movimento e as visitas domiciliares, bastante comuns naquela época, quando ainda não existiam os serviços de pronto atendimento clínico e cardiológico disponíveis atualmente”, conta Carlos.

“Apesar da rotina intensa, sempre foi uma pessoa do bem, afetuosa e preocupada conosco. Acompanhava nosso desenvolvimento, ainda que muitas vezes à distância, e nos dava bastante liberdade nas escolhas e nas situações do dia a dia.”

“Mais tarde, durante a Faculdade, tive também o prazer de ser seu aluno. Foi quando pude perceber o quanto ele era querido e admirado por estudantes e colegas. Mais do que discursos ou regras, o principal ensinamento que ele deixou foi o próprio exemplo: o de um homem que levava a profissão muito a sério, que gostava genuinamente do que fazia e procurava fazê-lo sempre da melhor forma possível”.

“Tenho a felicidade de guardar lembranças muito boas e afetuosas dele. Meu pai soube envelhecer e adaptar sua trajetória profissional às diferentes fases da vida. Viveu até os 83 anos e, enquanto esteve conosco, tivemos uma convivência muito carinhosa, próxima e saudável.”

 

Renato Bauer, filho de Alfredo Bauer

“Acredito que o principal ensinamento que recebi do meu pai veio do próprio exemplo, como a forma com a qual ele sempre se importou genuinamente com o próximo, com os alunos e com as pacientes. Em tudo o que se dispôs a fazer, procurou dar o melhor de si, tanto na docência quanto na medicina, sempre com muita responsabilidade, dedicação e cuidado”, destaca.

“É esse exemplo que me inspira, no dia a dia, a buscar ser o melhor médico e o melhor professor possível, dentro da nossa realidade e das nossas possibilidades. Essa convivência e a oportunidade de acompanhar de perto sua trajetória são, sem dúvida, minhas principais referências profissionais e pessoais”, finaliza.

Giovanna Aparecida Dearo Salmazo, filha de Péricles Salmazo

Caloura do curso de Medicina da FCMS, Giovanna Aparecida Dearo Salmazo cresceu acompanhando de perto a trajetória profissional do pai, o cardiologista e docente Péricles Salmazo. Quando ela nasceu, a família mudou-se para Botucatu, onde ele iniciou a residência em Cardiologia. Ainda criança, Giovanna já frequentava hospitais e algumas aulas ao lado do pai.

“Eu voltava para casa contando sobre os ‘pacientes do papai com o coração doente’. Ele me ensinava a interpretar as ‘linhas bagunçadas do eletro’, explicava o que era um marca-passo e até decorava comigo os ossos do corpo”, recorda.

“Ele sempre me ensinou que, independentemente da profissão que eu escolhesse, deveria amar o que faço e procurar fazer a diferença na vida das pessoas.”

Hoje, estudar na mesma instituição é, para a caloura, motivo de orgulho. “Posso ver o carinho que todos têm por ele e aprender com uma referência não apenas na Medicina, mas também na vida”, afirma.

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