PUC SP na Mídia: Rejeição de indicado ao STF abre debate sobre efeitos institucionais
Prof. Georges Abboud comenta ao Times Brasil as implicações da decisão do Senado.
Prof. Pedro Fassoni Arruda (Ciências Sociais) lança dois livros sobre o tema pela Educ
Por: Thiago Pacheco, diretor da Educ
A “Constituição Cidadã” faz 35 anos neste dia 5/10 e ganha uma “biografia”. Mas se trata de uma biografia crítica: afinal, os avanços conquistados pelos movimentos populares são suficientes para chamar a Constituição de “cidadã” ou o adjetivo esconde uma transição pelo alto, com a manutenção de dispositivos herdados da ditadura (1964-1985) e de privilégios das diversas frações da burguesia brasileira?
Em duas obras editadas pela Educ, o professor Pedro Fassoni Arruda (Depto. de Ciências Sociais) analisa o processo de elaboração da Carta de 1988 e o papel das forças progressistas e conservadoras que atuaram durante o período de transição política. Essa recuperação da história da Constituinte permite identificar tanto seus aspectos democráticos quanto os antidemocráticos, os elementos de ruptura e os elementos de continuidade em relação ao regime anterior, que estiveram presentes na “Nova República”.
No primeiro livro, Poder constituinte e democracia: a atuação das esquerdas e dos movimentos sociais na transição política (1984-1988), após contextualizar o período imediatamente anterior ao processo de elaboração da nova Carta, Arruda resgata as lutas da classe trabalhadora, das mulheres, dos negros, dos povos indígenas, dos LGBTQIAP+, grupos interessados na remoção do entulho autoritário.
A reação conservadora começa a ser abordada no segundo livro, As Forças Armadas e o poder constituinte: a tutela militar no processo de transição política (1974-1988). A obra é dedicada exclusivamente ao estudo do lobby das Forças Armadas, que contribuiu para sepultar reivindicações democráticas como a não-ingerência dos militares em questões estritamente políticas, a punição dos criminosos da ditadura, a revisão da Lei de Anistia, o desmantelamento dos serviços de inteligência e a desmilitarização das polícias. Um terceiro volume deverá analisar a atuação das diferentes frações da burguesia urbana (industriais, banqueiros, comerciantes) e latifundiários.
Para o autor, “entender todas essas questões é fundamental para identificarmos os alcances e os limites do processo de transição e da própria democracia brasileira. E também para compreendermos que os poucos direitos conquistados pelos grupos oprimidos foram o resultado de muita luta e coragem para enfrentar os donos do poder”.
As duas obras foram publicadas pela Editora da PUC-SP (EDUC) e serão lançadas durante um evento promovido pela PUC-SP para celebrar os 35 anos da Constituição e discutir o aprofundamento da democracia para que o Estado Democrático de Direito chegue plenamente a toda a população brasileira. O evento será realizado dia 17/10, a partir das 9h, no Tucarena, e além do lançamento dos livros contará com conferência do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Antonio Cezar Peluso.
Para saber mais sobre os livros, acesse aqui e aqui. Para saber mais sobre o evento dos 35 anos da Constituição, clique aqui.
