Jamil Chade debate carreira e papel do jornalismo em aula aberta na PUC-SP

Egresso da primeira turma de Relações Internacionais, jornalista respondeu a perguntas de estudantes sobre trajetória profissional, formação e democracia

por Cláudio Oliveira | 21/10/2026
Foto: Jéssica Leite/ ACI  PUC-SP Jéssica Leite/ ACI PUC-SP

O jornalista e correspondente internacional Jamil Chade participou de aula aberta na PUC-SP sobre carreira, relações internacionais e política, nesta terça-feira (20/10). O encontro, realizado no auditório 100, aproximou estudantes da experiência profissional do egresso da primeira turma de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

A atividade integrou a disciplina Oficina Profissional em Relações Internacionais, ministrada pela professora Camila Infanger Almeida. Organizada a partir de perguntas dos alunos, com espaço também para outros participantes, a conversa abordou possibilidades de atuação, desafios da cobertura internacional e responsabilidades do jornalismo diante da desinformação.

Para Camila, a trajetória de Chade permite aos estudantes conhecer diferentes caminhos profissionais e aproximar as referências que acompanham na imprensa da realidade da sala de aula. “É interessante os alunos verem a amplitude de carreira que podem ter com uma formação em Relações Internacionais”, afirmou.

Na abertura, Chade incentivou a turma a aproveitar a formação universitária para questionar os modelos políticos, econômicos e sociais. “Se a gente não tiver ousadia de re-imaginar o futuro, vai acelerar a destruição das instituições, dos direitos humanos e da democracia”, alertou.


A seguir, confira a seleção de três perguntas de estudantes e as respostas do jornalista, resumidas e editadas para publicação.

Catarina Moraes Silva — Como foi seu ingresso no jornalismo político?

Eu pretendia prestar o concurso do Instituto Rio Branco. Na última semana do quarto ano, vi um cartaz no corredor da PUC-SP com vagas para um programa de trainees da Gazeta Mercantil. Inscrevi-me porque haveria um curso de português, mas nunca tinha pensado em fazer jornalismo. Na seleção, sorteei um tema para apresentar à banca: FMI e Brasil, justamente o assunto do meu TCC. Passei e, depois de três meses de treinamento, decidi seguir na profissão. Não foi uma trajetória planejada. Por isso, recomendo manter as portas abertas pois, definir que só se quer um caminho pode fechar outras possibilidades.

Carolina Hayashi Soares — Que conselho você daria à nova geração de profissionais?

Ler e apurar. A escrita é o final do processo. Antes dela, é preciso investigar, estudar e compreender o contexto e a trajetória de quem será entrevistado. Sem esse preparo, podemos tratar como novidade algo que a pessoa já disse anos antes ou deixar de entender referências importantes. Isso vale para o jornalismo, para o trabalho acadêmico e para a atuação em relações internacionais. Os erros vão acontecer, mas a leitura ajuda a reduzir nossa vulnerabilidade.

Laura Zanotti Magalhães — Qual é o papel do jornalismo político em uma comunicação marcada por algoritmos e pelos interesses das empresas de tecnologia?
Informar o cidadão para que possa exercer seu voto e defender os direitos humanos e a democracia. É preciso ouvir os diferentes lados, mas também reconhecer quando um discurso usa os instrumentos democráticos para atacar a própria democracia. Reproduzir uma mentira sem questionamento pode transformar a imprensa em parte da desinformação. As plataformas digitais acrescentam outro desafio: empresas privadas controlam quem fala, quem é ouvido e até onde uma mensagem chega.

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