PPG em Economia da PUC-SP reúne economistas para debater desenvolvimento, democracia e os desafios do país
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Evento promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Economia discutiu crescimento econômico, desigualdades, mobilidade social e o papel das instituições na construção de um projeto nacional de desenvolvimento
O Programa de Pós-Graduação em Economia da PUC-SP reuniu, na noite de quarta-feira (17/6), no Teatro TUCA, alguns dos principais nomes do pensamento econômico brasileiro para discutir os desafios do desenvolvimento nacional em um contexto marcado por desigualdades persistentes, transformações produtivas e tensões políticas. Com a presença do ex-ministro da Fazenda e atual candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, o encontro Desenvolvimento, Democracia e Mudança Estrutural: Diálogos sobre um Projeto Nacional de Desenvolvimento para o Brasil promoveu reflexões sobre crescimento econômico, inclusão social, política monetária, mercado de trabalho e democracia.
Organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Economia da PUC-SP e coordenado pela professora Cristina Helena Pinto de Mello, o evento reafirmou o papel histórico da Universidade como espaço de produção de conhecimento, diálogo plural e formulação de propostas voltadas aos grandes desafios nacionais.
Cristina Helena, principal representante da Universidade na organização, destacou a tradição da PUC-SP como ambiente de construção democrática e debate qualificado. Segundo ela, a iniciativa representa mais do que uma discussão conjuntural sobre a economia brasileira. “A PUC-SP continua sendo um espaço de pluralidade, de construção democrática e de mediação de ideias. Este debate marca o início de uma conversa que busca reunir forças em torno de um desenvolvimento econômico inclusivo, associado ao bem-estar da sociedade”, afirmou.
A coordenadora ressaltou ainda a identidade do Programa de Pós-Graduação em Economia da Universidade, cuja trajetória está associada à tradição da economia política. “Entendemos que a economia não acontece por mecanismos naturais, mas pela construção de interesses, pelas relações sociais e pelos processos históricos que moldam a sociedade”, disse.
Além de Haddad, participaram do debate os economistas Laura Carvalho (USP), Samuel Pessôa (FGV/IBRE), Luiz Gonzaga Belluzzo (Unicamp), Luiz Fernando de Paula (UFRJ), Nathan Caixeta (BPCT Consultoria Econômica) e o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu.
Entre os temas mais discutidos esteve a relação entre os resultados econômicos recentes e a percepção da população sobre a própria condição de vida. Samuel Pessôa observou que indicadores como emprego e atividade econômica apresentaram evolução positiva nos últimos anos, mas que essa melhora não tem sido percebida pela sociedade da mesma forma que ocorreu em outros períodos da história recente do país. “Os indicadores econômicos melhoraram, mas muitas pessoas não percebem mudanças qualitativas em seu cotidiano como aquelas observadas nos anos 2000. Há uma expectativa de transformação concreta da vida das pessoas que ainda não foi plenamente atendida”, avaliou.
Para o economista, fatores como o elevado endividamento das famílias e a manutenção de juros altos por um longo período ajudam a explicar esse sentimento. “O brasileiro convive com altos níveis de endividamento, e os juros elevados afetam diretamente a percepção das famílias sobre a economia”, afirmou.
A professora Laura Carvalho aprofundou a discussão ao destacar que a distância entre os indicadores macroeconômicos e a avaliação popular não é um fenômeno exclusivamente brasileiro. Segundo ela, a recuperação econômica precisa ser acompanhada por melhorias qualitativas capazes de responder às novas expectativas da população. “Há uma melhora importante nos indicadores de emprego e renda, mas isso não se traduz automaticamente em percepção de prosperidade. A memória da inflação permanece, as expectativas mudaram e a população passou a demandar melhorias qualitativas em sua condição de vida”, afirmou.
Laura observou que a sociedade brasileira vive um momento distinto daquele registrado nos anos 2000. “Hoje, a população busca mais qualidade de vida, serviços públicos eficientes e oportunidades compatíveis com seu nível de escolarização. A reconstrução das expectativas sociais é um processo mais lento do que a recuperação dos indicadores econômicos”, disse.
A discussão também abordou os limites das políticas econômicas diante das transformações globais e dos desafios estruturais do país. José Dirceu defendeu uma atuação mais autônoma do Estado brasileiro na formulação de estratégias de desenvolvimento. “O Brasil é uma das maiores economias do mundo e precisa pensar seus interesses de forma soberana. Uma potência como a nossa deve formular políticas compatíveis com sua realidade e seus objetivos de desenvolvimento”, afirmou.
Convidado especial do encontro, o ministro Fernando Haddad destacou sua relação histórica com a PUC-SP e o papel da Universidade na formação do pensamento crítico brasileiro. “A PUC e a Faculdade de Direito do Largo São Francisco sempre mantiveram uma relação de proximidade e colaboração. Ao longo da minha trajetória, construí vínculos importantes com a Universidade e tive a honra de participar de seu Conselho Universitário”, afirmou.
Haddad também ressaltou a contribuição da instituição para o debate público nacional. “A PUC-SP tem uma tradição consolidada de promover discussões qualificadas sobre temas centrais para o país. É uma universidade que formou grandes intelectuais e desempenha um papel fundamental na vida pública brasileira”, declarou.
Ao final das exposições, estudantes, pesquisadores e participantes presentes no TUCA puderam dirigir perguntas aos convidados, ampliando o debate sobre temas como inflação, câmbio, mercado de trabalho, mobilidade social, produtividade, desigualdade e os caminhos para a construção de um projeto nacional de desenvolvimento.
Ao promover um encontro que reuniu diferentes correntes de pensamento econômico e representantes da academia, do governo e da sociedade civil, o Programa de Pós-Graduação em Economia da PUC-SP reafirmou sua vocação para a reflexão crítica e para a produção de conhecimento voltado aos desafios contemporâneos do Brasil, fortalecendo o papel da Universidade como espaço de diálogo democrático e formulação de propostas para o desenvolvimento do país.