Jamil Chade recebe Prêmio Especial Vladimir Herzog e é homenageado pela Reitoria da PUC-SP

Egresso da primeira turma de Relações Internacionais, jornalista retornou à PUC-SP durante as celebrações dos 80 anos da Universidade e teve sua trajetória na defesa dos direitos humanos reconhecida pela premiação

por Cláudio Oliveira | 22/10/2026

O jornalista e correspondente internacional Jamil Chade, formado em Relações Internacionais pela PUC-SP, recebeu o Prêmio Especial Vladimir Herzog na terça-feira (20/10), durante cerimônia realizada no Tucarena, teatro da Universidade. A honraria reconheceu sua trajetória na cobertura internacional de direitos humanos, democracia e justiça global. Em sua passagem pela PUC-SP, Chade também foi recebido pela Reitoria em um encontro que celebrou sua trajetória profissional e seus vínculos com a instituição, no ano em que a Universidade completa 80 anos.

Chade recebeu a estatueta das mãos da escritora Conceição Evaristo. O evento reuniu jornalistas, artistas e intelectuais, entre eles Flávia Oliveira, Juca Kfouri e José Trajano.

Apresentada por Aldo Quiroga, professor do curso de Jornalismo da PUC-SP e âncora do Jornal da Cultura, a solenidade também resgatou a trajetória acadêmica do homenageado. Ao apresentá-lo, Quiroga lembrou que Chade integrou a primeira turma de Relações Internacionais da Universidade, em 1997, e que, naquele momento, não pretendia seguir a carreira jornalística.

Reencontro com a PUC-SP

Em sua passagem pela Universidade, Jamil Chade foi recebido pelo reitor, professor Vidal Serrano Nunes Júnior, pela vice-reitora, professora Carla Reis Longhi, pela professora de Relações Internacionais e coordenadora da Assessoria de Relações Institucionais e Internacionais (ARII), Terra Budini, e pelo chefe de Gabinete, Leonardo Florencio.

O encontro integrou as celebrações dos 80 anos da PUC-SP, que têm entre seus propósitos o fortalecimento dos vínculos com os egressos e o reconhecimento das trajetórias construídas a partir da formação oferecida pela Universidade.

Na ocasião, a Reitoria preparou uma entrega simbólica em referência à conclusão de sua graduação, acompanhada de uma carta institucional em reconhecimento à sua trajetória e à contribuição de seu trabalho para o jornalismo e a defesa dos direitos humanos.

O encontro também foi marcado por uma troca de livros. Chade autografou um exemplar de seu mais recente lançamento, Espero que você seja deportado, e recebeu da vice-reitora Carla Reis Longhi um exemplar de Anatomia do Estado Autoritário no Brasil, de sua autoria.

Uma trajetória dedicada ao jornalismo e aos direitos humanos

Ao longo da carreira, Chade percorreu mais de 70 países, com reportagens sobre refugiados, crises humanitárias e violações de direitos humanos, além da cobertura de cúpulas diplomáticas. Foi também um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade, responsável por investigar violações cometidas durante a ditadura militar brasileira.

Em entrevista ao JPUC, o jornalista afirmou que o reconhecimento representa uma responsabilidade com o exercício da profissão. Para ele, cabe à imprensa profissional apurar os fatos e oferecer informações que permitam à população compreender os acontecimentos e tomar decisões. “Nós não somos o fim, nós somos aqueles que podem contribuir para que o cidadão, com as informações, possa tomar a sua decisão”, disse.
Concedido desde 1979, o Prêmio Vladimir Herzog reconhece profissionais e trabalhos jornalísticos comprometidos com a democracia e os direitos humanos. Há mais de uma década, a cerimônia é realizada no Tucarena, espaço ligado à história de resistência democrática da PUC-SP.

A premiação preserva a memória do jornalista Vladimir Herzog, torturado e assassinado pela ditadura militar em 25 de outubro de 1975, nas dependências do DOI-Codi, em São Paulo.
 

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