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Egresso da primeira turma de Relações Internacionais, jornalista retornou à PUC-SP durante as celebrações dos 80 anos da Universidade e teve sua trajetória na defesa dos direitos humanos reconhecida pela premiação
O jornalista e correspondente internacional Jamil Chade, formado em Relações Internacionais pela PUC-SP, recebeu o Prêmio Especial Vladimir Herzog na terça-feira (20/10), durante cerimônia realizada no Tucarena, teatro da Universidade. A honraria reconheceu sua trajetória na cobertura internacional de direitos humanos, democracia e justiça global. Em sua passagem pela PUC-SP, Chade também foi recebido pela Reitoria em um encontro que celebrou sua trajetória profissional e seus vínculos com a instituição, no ano em que a Universidade completa 80 anos.
Chade recebeu a estatueta das mãos da escritora Conceição Evaristo. O evento reuniu jornalistas, artistas e intelectuais, entre eles Flávia Oliveira, Juca Kfouri e José Trajano.
Apresentada por Aldo Quiroga, professor do curso de Jornalismo da PUC-SP e âncora do Jornal da Cultura, a solenidade também resgatou a trajetória acadêmica do homenageado. Ao apresentá-lo, Quiroga lembrou que Chade integrou a primeira turma de Relações Internacionais da Universidade, em 1997, e que, naquele momento, não pretendia seguir a carreira jornalística.
Em sua passagem pela Universidade, Jamil Chade foi recebido pelo reitor, professor Vidal Serrano Nunes Júnior, pela vice-reitora, professora Carla Reis Longhi, pela professora de Relações Internacionais e coordenadora da Assessoria de Relações Institucionais e Internacionais (ARII), Terra Budini, e pelo chefe de Gabinete, Leonardo Florencio.
O encontro integrou as celebrações dos 80 anos da PUC-SP, que têm entre seus propósitos o fortalecimento dos vínculos com os egressos e o reconhecimento das trajetórias construídas a partir da formação oferecida pela Universidade.
Na ocasião, a Reitoria preparou uma entrega simbólica em referência à conclusão de sua graduação, acompanhada de uma carta institucional em reconhecimento à sua trajetória e à contribuição de seu trabalho para o jornalismo e a defesa dos direitos humanos.
O encontro também foi marcado por uma troca de livros. Chade autografou um exemplar de seu mais recente lançamento, Espero que você seja deportado, e recebeu da vice-reitora Carla Reis Longhi um exemplar de Anatomia do Estado Autoritário no Brasil, de sua autoria.
Ao longo da carreira, Chade percorreu mais de 70 países, com reportagens sobre refugiados, crises humanitárias e violações de direitos humanos, além da cobertura de cúpulas diplomáticas. Foi também um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade, responsável por investigar violações cometidas durante a ditadura militar brasileira.
Em entrevista ao JPUC, o jornalista afirmou que o reconhecimento representa uma responsabilidade com o exercício da profissão. Para ele, cabe à imprensa profissional apurar os fatos e oferecer informações que permitam à população compreender os acontecimentos e tomar decisões. “Nós não somos o fim, nós somos aqueles que podem contribuir para que o cidadão, com as informações, possa tomar a sua decisão”, disse.
Concedido desde 1979, o Prêmio Vladimir Herzog reconhece profissionais e trabalhos jornalísticos comprometidos com a democracia e os direitos humanos. Há mais de uma década, a cerimônia é realizada no Tucarena, espaço ligado à história de resistência democrática da PUC-SP.
A premiação preserva a memória do jornalista Vladimir Herzog, torturado e assassinado pela ditadura militar em 25 de outubro de 1975, nas dependências do DOI-Codi, em São Paulo.