PUC SP na Mídia: Rejeição de indicado ao STF abre debate sobre efeitos institucionais
Prof. Georges Abboud comenta ao Times Brasil as implicações da decisão do Senado.
Estudante foi aprovado no 39º exame da Ordem dos Advogados do Brasil antes de concluir o curso
Tarcio Paulo Dias Papa está cursando o último ano de Direito na PUC-SP e já foi aprovado no 39° exame da Ordem dos Advogados do Brasil. Aos 80 anos de vida, Tarcio está impedido de atuar em carreiras públicas, mas pretende exercer a advocacia da melhor forma possível.
O aluno é graduado em Engenharia Civil pela Escola de Engenharia de São Carlos (1967), da USP, e é especialista em Hidráulica e Saneamento. Por meio do seu trabalho como consultor de saneamento básico, conheceu 23 estados brasileiros e 12 países da América Latina e África.
Tarcio presenciou um dos momentos mais difíceis da história brasileira e essa vivência foi decisiva na escolha do curso. “Sempre tive vontade de estudar Direito, mas a oportunidade só veio quando aposentei. Outro aspecto que me motivou foi que vivi de perto a ditadura no Brasil, o que me fez valorizar o devido processo legal e a ampla defesa. Na época da ditadura, vivia-se preocupado e com medo, faltava algo fundamental: a liberdade de expressão. Fui detido e voltei, mas alguns outros não tiveram a mesma sorte”.
O aluno conta que escolheu a PUC-SP por se tratar de uma das melhores faculdades de Direito do Brasil. “Prestei vestibular, fui aprovado, e tenho como facilitador residir próximo ao campus Monte Alegre. Cursar com pessoas mais jovens e regressar à Universidade depois de 50 anos foi uma experiência incrível e gratificante; sua mente se recicla e se renova”, afirma.
“Na Universidade, não encontrei qualquer dificuldade e nenhuma prática de etarismo. Convivo bem com os colegas e professores, sendo grato a todas e a todos. A dificuldade que encontrei foi inicial, pela falta de prática com a informática, porém, os colegas me ajudaram. Gostei e gosto muito do curso de Direito, foi uma boa escolha. Meu primeiro objetivo foi de conhecer, entendo que todos nós vamos morrer aprendendo. Pretendo, sim, exercer a advocacia, pois para carreiras públicas estou impedido pelo limite de idade, o que considero um equívoco, pois estou em plena condição de minhas faculdades físicas e mentais. Estou a caminho de exercer a advocacia, fui aprovado no exame 39º da Ordem dos Advogados, o que me deixou muito feliz.”
Otávio Teixeira Landi é aluno de Direito e faz parte da sala de Tarcio. “No início foi uma surpresa conhecê-lo e encontrar um senhor de 80 anos na sala de aula, porém em pouco tempo se tornou uma experiência muito agradável. Tarcio é muito engajado, quer entender a matéria, se aprofundar no tema e trata todos os alunos e professores muito bem, pois faz questão de conhecê-los e criar amizade”, comenta.
Otávio enfatiza que as universidades poderiam incentivar pessoas na maturidade a voltarem para a sala de aula. “A grande maioria da sala ainda é muito homogênea - pessoas brancas, de classe alta e classe média, geralmente mais jovens - e ter diversidade, principalmente no mundo acadêmico, é enriquecedor”.
“É muito legal conhecer alguém como o Tarcio em sala de aula, tanto por ser um dos alunos mais interessados e dedicados, quanto pelo fato dele fazer questão de saber o nome de literalmente todos os colegas, no que trabalham e como estão.
A coragem dele em iniciar a faculdade nessa idade, sujeito a inúmeras situações de discriminações, e ver o quanto ele aproveita o curso nos mostra a importância do ensino e do conhecimento. Ele mostra que o ensino acadêmico não se limita a somente uma fase da vida”, finaliza Otávio.