Coletivo Saravá promove conferência com foco nos estudantes ingressantes

O encontro "Tâmaras: Lutar Y Resistir" fez parte da programação de Recepção aos novos alunos

por Cláudio Oliveira | 11/03/2024

Existe um ditado árabe que diz: “Quem planta tâmaras, não colhe tâmaras!” Isso porque, antigamente, as tamareiras levavam de 80 a 100 anos para produzir os primeiros frutos.

 Utilizando esse ditado ancestral como inspiração, o Coletivo Saravá convidou estudantes ingressantes, veteranos e a comunidade puquiana, a participarem do primeiro encontro de 2024 organizado pelo grupo, "Tâmaras: Lutar Y Resistir". O evento aconteceu no dia 7/3, no auditório 333 do campus Monte Alegre.

A conferência contou com a participação de vários convidados, que militam na luta antirracista e na resistência às opressões do racismo estrutural. 

Fábio Mariano da Silva, mestre em Direito, doutor em Ciências Sociais, além de secretário geral da Reitoria da PUC-SP, foi o mediador do evento e destacou a importância de se discutir temas de grande relevância em espaços acadêmicos: “A PUC-SP é uma universidade que sempre se pautou pela inclusão, pelo debate coletivo, por um espaço democrático de discussão sobre todas as questões que são latentes em nossa sociedade”.

Falas pretas

 “Acho muito importante que um coletivo de alunos negro tenha protagonizado a construção de um evento como este que tem como tema, lutas e resistências, porque destaca o quanto as pessoas que resistem na sociedade, são capazes de formular as principais respostas de transformação”.

Simone Nascimento, co-deputada estadual e coordenadora estadual do Movimento Negro Unificado de São Paulo (MNU-SP).

 


“Historicamente universidades de elite, estou falando das estaduais paulistas e das principais particulares do estado de São Paulo, que acabam abrangendo o Brasil, abrirem espaço para coletivos como o Saravá promover um evento, cujo tema é lutar e resistir, é muito valioso, pois estas instituições acabam servindo para manter o estado de desigualdade das coisas, manter as pessoas onde elas estão, como pacto da branquitude, que é um conceito da Cida Bento. Portanto um coletivo negro se colocar como um polo de resistência é muito importante para os estudantes que estão ingressando na universidade”.

 Augusto Graça, coordenador estadual de juventude do MNU-SP.

 

 


 

“Destaco dois aspectos importantes sobre um coletivo negro, realizar um encontro para discutir luta e resistência.  Primeiro a PUC-SP se responsabilizar por seus alunos negros, pelo acolhimento desses estudantes e pelo combate ao racismo dentro da universidade. O segundo são os alunos se verem não apenas representados, mas também terem acesso a informação antirracista , para que a gente consiga não só mudar a realidade dentro da universidade, mas também pensar em nossos futuros operadores, futuros profissionais que estarão no mercado de trabalho, na política, na educação, para mudar este estado de coisas inconstitucionais em que vive a população negra no Brasil”.

Gabriela Leão, especialista em direitos étnico-raciais e militante do Movimento Negro pelo Partido dos Trabalhadores (PT).


Também participou da mesa como palestrante, Isis Mustafa, fundadora da Unidade Popular Pelo Socialismo em São Paulo (UP), que falou sobre sua militância na UP, na universidade e nas lutas e resistências do movimento negro e feminista.

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