Consun se manifesta sobre morte de Marielle Franco

Texto foi aprovado na última reunião do Conselho, em 28/3

por Redação | 02/04/2018 - 11h

"CONSUN - MANIFESTAÇÃO DA PUC / SÃO PAULO

Honrando o compromisso histórico da PUC São Paulo com os ideais de construção de uma sociedade justa e democrática, manifestamos nossa profunda preocupação com a grave crise que atravessa o país. O acirramento de expressões públicas de intolerância em relação a diferenças políticas; a violência expressa nos altos índices de assassinato de jovens negros; a colocação do Brasil como o país que mais mata travestis e transexuais no mundo; as desumanas condições carcerárias já tantas vezes denunciadas por organismos internacionais soam, entre outros, como alertas.

Acontecimentos recentes demonstram a necessidade urgente de manifestação daquela parcela da sociedade que defende um Estado democrático de Direito, o respeito aos Direitos Humanos, e que luta contra as desigualdades sociais, raciais e de gênero que impedem a realização da democracia e da justiça em nosso país.

Marielle Franco foi brutalmente assassinada ao lado de seu motorista, Anderson Gomes, também assassinado. Era uma liderança política respeitada; lutava pelos direitos das mulheres, defensora daqueles e daquelas que mais necessitam da proteção do Estado — moradores de favelas, população LGBT — relatora da comissão responsável por investigar a Intervenção Militar no Rio de Janeiro. Pelos ideais e valores que defendia, ela certamente incomodou setores da sociedade que desejam e trabalham pela manutenção do atual status quo. A violência do seu assassinato repercutiu em todo o mundo e o próprio Papa Francisco manifestou solidariedade à família.

Episódio anterior, envolvendo reconhecido pesquisador brasileiro, professor Carlini, nos faz perguntar, especialmente enquanto uma instituição dedicada ao ensino e à pesquisa, o que significa hoje no Brasil, o respeito à liberdade de elaborar ciência e pesquisar.

A comunidade puquiana solidariza-se, especialmente, com o Padre Júlio Lancelotti, ex representante da sociedade civil junto ao Conselho Universitário desta Universidade. Incansável defensor dos moradores de rua, tem recebido ameaças de morte, em razão de sua atuação junto a essa população.

Vemos com apreensão indicações de um processo de judicialização da política e de politização do Judiciário, que põem em risco o exercício pleno da democracia. Reafirmamos o compromisso da PUC São Paulo com o Estado democrático de Direito, com a livre expressão do pensamento, assim como de pesquisa e da defesa pública dos direitos individuais e sociais. Como educadoras e educadores reafirmamos nosso compromisso com a construção de um país sem discriminação, justo e solidário."

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