Estudante de Medicina de Taiwan vivencia intercâmbio acadêmico e cultural na FCMS
“Não conhecia nada sobre o Brasil antes de vir para cá. O intercâmbio foi repleto de...
“Não conhecia nada sobre o Brasil antes de vir para cá. O intercâmbio foi repleto de choques culturais. Acredito que essa experiência me transformou de maneira positiva e que já não sou mais a mesma pessoa que era antes.”
Durante um mês, Chen Li-Sian, estudante do quarto ano do curso de Medicina em Taiwan, acompanhou de perto a rotina acadêmica e hospitalar da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde (FCMS) da PUC-SP, em Sorocaba, onde realizou um período de estágio. O intercâmbio foi promovido pela International Federation of Medical Students Associations (IFMSA), organização global formada por estudantes de Medicina.
Chen foi recepcionado pelo diretor de Intercâmbio Internacional da IFMSA, Rafael Cardoso, e permaneceu na cidade entre os dias 10 de junho e 9 de julho. Além das atividades acadêmicas, teve a oportunidade de vivenciar aspectos da cultura brasileira: participou da Festa Junina promovida pelo ShowMed, agremiação dos estudantes da FCMS; frequentou os treinos da equipe de tênis de mesa da Faculdade e realizou passeios turísticos. Antes de retornar a Taiwan, também conheceu o Rio de Janeiro.
Na entrevista a seguir, Chen relata suas impressões sobre a experiência na FCMS, o sistema de saúde brasileiro e o intercâmbio cultural vivido durante sua permanência no país.
Como você avaliaria o período que passou na FCMS?
O mês que passei no Brasil foi uma experiência muito marcante para mim. Embora eu não compreendesse português, todas as pessoas que conheci se esforçaram para me explicar o que estava acontecendo. Em nenhum momento me senti deixado de lado, e sou muito grato por isso.
Como foi sua experiência cultural no Brasil, além das atividades acadêmicas?
No meu tempo livre, Rafael e Paolla [alunos da Medicina na FCMS e diretores da IFMSA] me convidaram para conhecer suas cidades de origem. Com eles, pude vivenciar de perto a verdadeira cultura brasileira, incluindo a forma como as pessoas assistem juntas aos jogos de futebol, torcem pela seleção, comemoram aniversários e convivem com familiares e amigos.
Pude conhecer um pouco sobre o funcionamento da agricultura no país e participar de grandes celebrações, como a Festa Junina e o Dia dos Namorados. Além disso, experimentei diversos pratos tradicionais brasileiros. Também participei dos treinos de tênis de mesa, o que me incentivou a adotar um estilo de vida mais saudável.
Em resumo, como eu praticamente não conhecia nada sobre o Brasil antes de vir para cá, o intercâmbio foi repleto de choques culturais. Acredito que essa experiência me transformou de maneira positiva e que já não sou mais a mesma pessoa que era antes.
Houve algum aspecto da universidade ou do curso de Medicina que chamou a sua atenção?
Achei o hospital [Conjunto Hospitalar de Sorocaba] muito tranquilo, com uma atmosfera bastante positiva. Durante o intercâmbio, quase não presenciei conflitos. Os estudantes mantêm uma relação próxima com os professores, e os colegas ajudam uns aos outros.
Os pacientes respeitam os médicos, enquanto os profissionais fazem o possível para oferecer o melhor atendimento. Ninguém parece estar correndo ou gritando, nem mesmo no pronto-socorro.
Acredito que isso esteja relacionado à maturidade do sistema de saúde. Os pacientes têm acesso gratuito à assistência médica e, por isso, parecem menos preocupados e mais agradecidos. O sistema de encaminhamento é utilizado, de modo que há poucos pacientes por dia, permitindo que os médicos dediquem mais tempo a cada atendimento e ofereçam um cuidado melhor.
Os médicos são bem remunerados e não precisam competir tanto entre si. Embora sempre existam aspectos que podem ser aprimorados, considero que o sistema de saúde brasileiro parece excelente.
Esta foi a sua primeira experiência acadêmica internacional?
Não. Estive na Austrália após concluir o ensino fundamental. Fiz aulas de inglês e permaneci no país durante três semanas.
Você pretende participar de outros programas de intercâmbio internacional, no Brasil ou em outros países?
Pretendo participar de um programa de voluntariado médico em Belize daqui a dois anos. O programa também inclui a oportunidade de visitar uma faculdade de Medicina e um hospital nos Estados Unidos.
Em que ano do curso de Medicina você está atualmente? O curso em seu país também tem duração de seis anos?
Estou no quarto ano. Em Taiwan, o curso de Medicina também tem duração de seis anos, sendo quatro anos de formação pré-clínica e dois anos de internato médico.