Dia do Médico
Brasil poderá a chegar a 1 milhão de médicos em 2035
Segundo projeção da Demografia Médica no Brasil 2025, da Associação Médica Brasileira (AMB), o Brasil deverá ultrapassar 1,15 milhão de médicos em atividade até 2035. Trata-se de um crescimento de, aproximadamente, 81% em relação a 2025, quando o país contabilizava 635.706 profissionais. Confirmada a estimativa, a proporção passará de 2,98 para 5,25 médicos por mil habitantes – o equivalente a um profissional para cada 190 brasileiros.
Além disso, as mulheres deverão representar 55,7% dos médicos, enquanto a idade média dos profissionais em atividade cairá para 40,8 anos. Os efeitos dessa transformação já poderão ser percebidos pelos primeiranistas de 2025, que deverão se graduar em 2031 e, para se especializar em áreas como Cardiologia, Endocrinologia ou Geriatria, por exemplo, precisarão de mais quatro anos cursando a Residência Médica.
Para compreender a formação, o mercado de trabalho, os desafios da Medicina e o que esperar desse crescimento acentuado de novos médicos, entrevistamos o diretor-adjunto da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde (FCMS) da PUC-SP, professor-doutor Ulisses Del Nero, graduado pela mesma instituição em 1988, mestre e doutor em Ginecologia, Obstetrícia e Mastologia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.
Quais aspectos da profissão merecem ser celebrados e quais são, atualmente, os principais desafios enfrentados pelos médicos?
A Medicina mantém intacta sua essência mais antiga: a oportunidade de intervir diretamente no sofrimento do outro, oferecendo alívio, cura ou acolhimento nos momentos de maior vulnerabilidade humana. Essa capacidade de gerar impacto real na vida das pessoas é o que sustenta a escolha pela profissão.
No entanto, o cenário atual impõe desafios complexos. Enfrentamos a fragmentação do cuidado, a sobrecarga de trabalho nos sistemas público e privado, a pressão por produtividade em detrimento do tempo de escuta e a rápida multiplicação de faculdades de Medicina, que lança milhares de novos profissionais no mercado todos os anos sem o devido rigor na formação.
Diante das transformações na área da saúde, quais competências precisam ser desenvolvidas pelos estudantes de Medicina, além do conhecimento técnico?
Acompanhar essa evolução exige do estudante habilidades que vão além do domínio da fisiopatologia e da farmacologia. A tecnologia trouxe diagnósticos mais precisos e tratamentos avançados, mas também o risco da impessoalidade.
O futuro médico precisa aprender a gerenciar o volume massivo de dados científicos, desenvolver inteligência emocional para lidar com situações de alto estresse, trabalhar em equipes multidisciplinares e dominar a comunicação clara com o paciente e seus familiares. Saber explicar um diagnóstico complexo ou dar uma má notícia exige tanta competência quanto indicar a conduta terapêutica adequada.
Como o curso de Medicina da FCMS/PUC-SP prepara os alunos para conciliar excelência científica, raciocínio clínico e atendimento humanizado?
Na Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde da PUC-SP, a formação é desenhada para unir o rigor do método científico à prática humanizada desde os primeiros anos. O raciocínio clínico não é ensinado como uma simples memorização de diretrizes, mas como um processo ativo de resolução de problemas.
Utilizados de forma estruturada, as metodologias ativas e o aprendizado baseado em problemas colocam os alunos no centro da discussão, estimulando a investigação, a busca por evidências atualizadas e a integração entre as ciências básicas e a clínica. Essa base teórica ganha sentido prático na convivência diária com os pacientes, onde a tomada de decisão considera as evidências científicas e o contexto de vida do indivíduo.
Quais são os principais diferenciais da formação oferecida pela FCMS/PUC-SP em relação à integração entre ensino, prática assistencial, pesquisa e contato com a comunidade?
A inserção nos serviços de saúde ocorre desde o início do curso, o que constitui um dos principais eixos da nossa proposta pedagógica.
Na FCMS, o estudante não passa os primeiros anos restrito às salas de aula. Ele também vivencia a rede pública de saúde; atua na atenção primária nas Unidades Básicas de Saúde de Sorocaba e região; e acompanha a complexidade do atendimento secundário e terciário no Hospital Santa Lucinda, nas Unidades de Pronto Atendimento da Cidade de Sorocaba e no Conjunto Hospitalar de Sorocaba.
Essa aproximação com a comunidade expõe o aluno à realidade epidemiológica do país, estimula o desenvolvimento da empatia e ensina a fazer medicina considerando os recursos disponíveis. Além disso, a iniciação científica é incentivada continuamente, garantindo que o futuro profissional saiba produzir e avaliar pesquisas criticamente.
Como avalia o atual mercado de trabalho para os novos médicos e de que maneira a formação recebida na FCMS/PUC-SP os prepara para construir uma trajetória profissional sólida?
O mercado de trabalho atual vive um momento de transição e maior concorrência. A simples posse do diploma de graduação já não garante inserção automática nos grandes centros ou nas melhores vagas. Médicos recém-formados enfrentam um cenário de forte disputa por vagas de residência médica e contratações em serviços públicos e privados.
A formação sólida oferecida pela FCMS prepara o egresso para esse contexto ao entregar um profissional com forte bagagem prática, capacidade de autogestão do aprendizado e preparo técnico elevado para os exames de residência mais concorridos do país. A vivência clínica proporcionada e diversificada ao longo de seis anos permite que nossos alunos concluam a graduação com segurança para tomar decisões, flexibilidade para se adaptar às mudanças do setor e o compromisso ético necessário para construir uma carreira respeitada e sustentável.



