Docente da Faculdade de Medicina da PUC-SP é entrevistado sobre esclerose múltipla

Sérgio Said / SZS Comunicação

O neurologista Paulo Diniz da Gama, professor da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde (FCMS) da PUC-SP, concedeu entrevista à TV Tem em 22 de maio para esclarecer a população sobre a esclerose múltipla e os principais desafios relacionados ao diagnóstico e ao tratamento da doença.

O tema ganha destaque às vésperas do Dia Mundial da Esclerose Múltipla, celebrado em 30 de maio. No Brasil, a mobilização também inclui o Dia Nacional de Conscientização sobre a Esclerose Múltipla, lembrado em 30 de agosto. As datas têm como objetivo ampliar o acesso à informação, combater dúvidas frequentes e fortalecer o apoio aos pacientes.

A esclerose múltipla é uma doença neurológica crônica e autoimune que atinge o sistema nervoso central. Nessa condição, o sistema imunológico passa a atacar estruturas responsáveis pela comunicação entre o cérebro e o restante do corpo.

Sintomas podem variar e desaparecer temporariamente

Durante a entrevista, Diniz explicou que, assim como sugere o nome da doença, os sintomas podem ser múltiplos e variar de paciente para paciente. Entre os sinais possíveis estão formigamentos que persistem por algumas semanas e depois desaparecem, desequilíbrio, déficit motor, fadiga e visão embaçada.

O especialista orientou que, diante de sintomas persistentes ou sugestivos da doença, a população procure avaliação médica o quanto antes. “É comum que, após o desaparecimento dos sintomas, a pessoa deixe de buscar ajuda ou adie a consulta”, destacou.

Segundo ele, esse comportamento pode atrasar o diagnóstico e comprometer o início precoce do tratamento, considerado fundamental para reduzir a progressão da doença e prevenir novos surtos. “Quanto mais episódios o paciente apresentar, maior é o risco de lesões permanentes no cérebro”, alertou o neurologista.

Tratamento permite controle e qualidade de vida

Diniz também explicou que, embora a esclerose múltipla ainda não tenha cura, ela pode ser controlada com tratamentos à base de medicamentos orais e injetáveis, permitindo ao paciente manter qualidade de vida. Para ele, a atenção aos sinais do próprio corpo é um passo essencial para o diagnóstico precoce: “Primeiro, a pessoa precisa reconhecer que aquele sintoma não é normal e que precisa ser investigado”.

De acordo com o neurologista, quando o diagnóstico é feito precocemente e o tratamento é iniciado de forma adequada, as chances de controle da doença aumentam significativamente. “Nesse cenário, o paciente com esclerose múltipla tem grandes possibilidades de envelhecer com qualidade de vida e morrer por outras causas, não pela doença”, concluiu.

 

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