FEA promove evento sobre cooperativismo internacional

Representante da Mondragon, uma das maiores cooperativas do mundo, fala em evento na PUC-SP

por Cláudio Oliveira | 05/08/2022 - 00h

Iñigo Albizuri Landazabal, diretor de Relações Institucionais da Corporação Mondragón no País Basco (Espanha) e presidente da Organização Internacional de Cooperativas na Indústria e Serviços, organização setorial da Aliança Cooperativa Internacional, foi o palestrante em evento presencial promovido pela FEA (Faculdade de Economia, Administração, Contábeis e Atuariais) no dia 03/08, no auditório 310 no campus Monte Alegre.

“A Mondragon é conhecida por ser a maior cooperativa industrial de todo o mundo. O objetivo principal da atuação tem sido a transformação social, nos caracterizamos pela internacionalização, temos cerca de 140 fábricas fora da Espanha e temos todos os tipos de clientes, todos de modo cooperativo. Temos uma universidade cooperativa, supermercados cooperativos, banco cooperativo e indústria cooperativa. A internacionalização e a diversificação dos negócios é o que diferencia a Mondragon”, explicou Iñigo Albizuri Landazabal, que também comentou sobre a atuação da corporação no Brasil, “Temos diversas operações no Brasil, em lugares como São Paulo, Rio Grande do Sul e Ceará, e colaboramos com vários conjuntos sociais” concluiu o representante da Mondragon.

A Profª Myrt Thania de Souza da Cruz, diretora adjunta da FEA, falou sobre a importância do evento para a faculdade. “Este evento é de enorme relevância para a FEA, tendo em vista que o cooperativismo fomenta a justiça social, distribuição de riqueza e a igualdade, então, nesse sentido, pensando no campo da gestão, sobre tudo na economia política e na busca de maior equidade social, a Mondragon tem muita experiência com o cooperativismo e, portanto, muito a somar. Uma cooperativa de trabalhadores que abriga uma enorme gama de campos de trabalho, e nós precisamos beber nessa fonte. Conheço a Mondragon de longa data, aliás dentro da tradição que estamos trabalhando economia solidaria, desde a época do Paul Singer, neste sentido, a gente vem estudando o cooperativismo e a Mondragon é uma referência para o cooperativismo brasileiro, tanto urbano como do campo”.

Segundo o prof. Arnaldo José de Hoyos Guevara, mediador e um dos organizadores do encontro, o evento foi de grande relevância, “A PUC-SP se caracteriza pelo trabalho na área social, desde sempre, com Paulo Freire e tantos outros, por isso é o ambiente ideal para recebê-los. A organização Mondragon basicamente trabalha para formação de grupos, socialmente adequados e coerentes para fortalecer o cooperativismo, reforçando a solidariedade e a capacidade de superar todo tipo de desigualdade. Muito inseridos no cenário internacional, vieram para cá, com interesse de formar parceria com a PUC-SP, acreditando no ativo político da instituição”.

O Evento contou ainda com participação do prof. Ladislau Dowbor (pós-graduação em Economia), que também falou ao J.PUC. “A cooperativa é antes de tudo, as pessoas assumirem seus destinos econômicos coletivamente. Daí as pessoas se organizarem em uma comunidade para produzirem juntas, estas coisas funcionam. Eu levei a deputada federal Luíza Erundina para a Itália, por toda parte central de Bolonha. Lá é generalizado o uso de cooperativa, como na Espanha e em outros países, inclusive há bons casos no Brasil. De certa forma há uma mudança de clima, pois as grandes corporações, que tentam maximizar os lucros, para privilegiar acionistas, como a Vale do Rio Doce e a Petrobrás, estão gerando catástrofes ambientais, além de mais desigualdades. Por isso as pessoas estão buscando formas inovadoras. Na verdade, quando se organiza um sistema cooperativo, não só melhora a produtividade, mas criam-se também outras relações humanas, pois não se estará trabalhando para alguém que repassará somente para acionistas, que estão enriquecendo em alguma parte do mundo. Pode-se conciliar legitimamente a necessidade de ganhar o pão para a família com o ser útil também para a sociedade”.

Kallita Ester Magalhães, ex-aluna de graduação e mestrado da PUC-SP, participou do evento e tem pesquisas e interesse nessa área. “Fui convidada pelo professor Hoyos, que foi meu professor no mestrado, e o tema do encontro é muito interessante. Não conheço a Mondragon, mas me interessa muito a temática de cooperação. Minha expectativa é ter novos insites, pois sou pesquisadora na área de estratégia e inovação, como novas tecnologias podem contribuir para novas formas de negócios”.

Iñigo Albizuri Landazabal, diretor de Relações Institucionais da Corporação Mondragón, também foi recebido pela Reitoria da PUC-SP. 

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