Professora lança livro sobre os 100 anos da Semana de Arte Moderna

Obra "Cem anos da Semana de Arte Moderna - O Gabinete Paulista e a Conjuração das Vanguardas é de autoria da professora Leda Motta (Pós em Comunicação e Semiótica)

por Redação | 28/01/2022

Será lançado em fevereiro o livro Cem anos da Semana de Arte Moderna - O Gabinete Paulista e a Conjuração das Vanguardas (Editora Perspectiva)de autoria da professora Leda Motta (Pós em Comunicação e Semiótica). Na obra, a docente, que é crítica literária, pesquisadora, tradutora e autora, dentre outros livros, de Proust, a Violência Sutil do Riso (Perspectiva, 2007), prêmio Jabuti em Teoria e Crítica Literária, passa a limpo uma das grandes controvérsias dos meios literários e dá a medida da importância que o evento teve em nossas artes.

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Exatos cem anos depois, como ver a Semana de Arte Moderna que tanto nos ensinaram a celebrar? E o quê exatamente terá sido o moderno para nós, desde que, naquele fevereiro de 1922, aproveitando a comemoração do brado do Ipiranga, uma certa elite paulista cafeicultora resolveu bancar um outro grito de liberdade estética? E a propósito, que foi feito da beleza do gesto antropófago inicial que fazia os dois Andrades declararem juntos que o tupi podia tocar o alaúde, ideia cuja irresponsabilidade política também teremos aprendido a considerar?                

Tratando esta e outras questões com o desassombro que um século de acontecimentos pode facultar, o livro de Leda Tenório da Motta não faz por menos que assinalar o caráter relativo e preceptivo do senso de modernidade que, na sequência da Semana, a crítica paulista passou a comunicar ao país, do alto de seu poder de cátedra, sua rede de influências e sua palavra assertiva. Juntam-se a essas notas outras tantas sobre o paradoxal horror às vanguardas que, na senda do Andrade demissionário dos jogos vãos do Municipal, essa mesma crítica  passou a conceber e estender a toda poesia difícil. 

Mas Cem anos da Semana de Arte Moderna. O gabinete paulista e a conjuração das vanguardas debruça-se ainda sobre o desbravamento do interior e o combate pelo abrasileiramento de nossas artes com que o Mário de Andrade agente cultural se envolveu, clamando literalmente por ações mais viris, de modo a contrastar esta vertente teórica com a linha de pensamento de um Oswald de Andrade já teórico queer. Um Oswald cujos manifestos e ensaios matrianárquicos o mostram desde sempre afinado com os giros descoloniais e contrassexuais de filosofias não-sistêmicas que  estão hoje nos alertando sobre a violência dos paradigmas.

O livro debruça-se ainda sobre as marcas de estilo não assim tão gloriosas, como nos ensinaram a achar, da prosa crítica dos expoentes do referido laboratório de ideias. Além disso, complica a ideia de que a propagação da Semana resultou do varguismo, com sua retórica do abrasileiramento, estendendo-a até uma  ação universitária, por sinal antivarguista.    

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