PUC SP na Mídia: Rejeição de indicado ao STF abre debate sobre efeitos institucionais
Prof. Georges Abboud comenta ao Times Brasil as implicações da decisão do Senado.
Projeto da engenheira biomédica Solange Oliveira foi fomentado pela Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia e se tornou uma startup
Os testes dermatológicos e cosméticos em animais são cada vez menos aceitos pelos consumidores, que cobram um posicionamento mais ético das marcas, e têm feito com que as multinacionais do ramo busquem alternativas. No Brasil, que ocupa o quarto lugar no ranking dos maiores consumidores de cosméticos do mundo, leis estaduais já proíbem tal prática e diversas empresas encontraram outras formas de validar a eficácia e segurança de seus produtos.
Foi pensando neste cenário que a aluna do curso de Engenharia Biomédica Solange Oliveira criou um biotecido, uma pele artificial, de três centímetros, contendo as duas camadas principais, a derme e a epiderme, desenvolvida com células humanas retiradas de tecidos descartados de cirurgias plásticas.
O projeto, fruto de seu TCC, foi selecionado pelo Academic Working Capital, programa do Instituto TIM, apoiado pela Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE), que transforma trabalhos acadêmicos em empresas. “Sempre fui fascinada pela engenharia de tecidos e decidi inscrever meu TCC, que era sobre o desenvolvimento de uma bioimpressora e de um sistema de análise para bioimpressão de tecidos. Minha ideia inicial foi escolhida e a partir daí, durante um ano, desenvolvi diversas pesquisas até chegar num modelo de negócio viável, que é a Organa Kypseli, soluções em biotecnologia, uma startup com foco em engenharia de tecidos”, explica Solange.
Segundo a aluna, por ter maior proximidade fisiológica da pele humana do que os animais, o biotecido é uma ótima alternativa para a indústria de dermocosméticos. “Sem o uso de células de animais, os testes podem ser feitos com tons de pele diferentes, em idades variadas, o que aumenta a confiabilidade do produto. Também reduz a necessidade de utilizar cobaias humanas”.
A startup está em fase de validação do projeto ou MVP (mínimo produto viável) e busca de investidores, etapas que ela pretende desenvolver durante o mestrado.
O biotecido não foi a primeira invenção promissora na área da saúde que Solange Oliveira criou. Entre 2017 e 2018, ela e a colega de iniciação científica da PUC-SP Rafaela Rogatto desenvolveram um dispositivo para liberação controlada de medicação para o tratamento de câncer de mama que reduz efeitos colaterais. “Nosso trabalho, realizado sob orientação da professora Fernanda Grossi e do professor Sergio Bernatavicius, foi aprovado com Bolsa-CEPE e apresentado na modalidade pôster no I Encontro Nacional de Pesquisa em Oncologia (ENPO 2019). Acredito que o futuro da Medicina será a criação de métodos e tratamentos menos invasivos, mais assertivos, pois é também uma questão de humanização na saúde. A ciência e a Engenharia Biomédica serão grandes parceiras na melhoria de tratamentos e consequentemente na qualidade de vida dos pacientes”.
Para Solange, a PUC-SP teve um papel importante em sua trajetória. “Dentro da Universidade é estimulada a participação em projetos científicos e o curso de Engenharia Biomédica tem uma programação muito focada em desenvolver o lado profissional do aluno, e não somente o acadêmico. Também considero que a formação de líderes seja uma característica da PUC-SP. Espero um dia poder fazer por novos alunos o que meus professores fizeram por mim; tenho muita admiração e respeito e sou muito grata a eles”.