PUC SP na Mídia: Rejeição de indicado ao STF abre debate sobre efeitos institucionais
Prof. Georges Abboud comenta ao Times Brasil as implicações da decisão do Senado.
Adriano Maia, que acaba de se formar em Publicidade e Propaganda, é surdo; Guilherme Souza é cadeirante e concluiu Comunicação e Multimeios
Muitas são as semelhanças na vida do agente de suporte acadêmico Adriano Maia e do auxiliar administrativo Guilherme Souza. Os dois são funcionários da PUC-SP, ambos acabam de concluir a graduação e inclusão foi o tema escolhido por eles para o TCC. Mas talvez a maior delas seja justamente a que norteou todos os desafios da vida universitária: ambos possuem deficiência.
Surdo desde o nascimento, Adriano Maia, que integra a equipe da Direção do campus Monte Alegre, sempre sonhou com o diploma, mas precisou vencer barreiras dentro de sua própria casa para acreditar que seria capaz de chegar ao ensino superior. Como funcionário da PUC-SP, ele teve direito a uma bolsa de estudos e não perdeu a oportunidade de cursar Publicidade e Propaganda. Em seu TCC, Adriano falou sobre o ICOM, um serviço de tradução de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) em tempo real, uma tecnologia inovadora que facilita a comunicação entre surdos e ouvintes, destinada a empresas, órgãos públicos e pessoas físicas, com intérpretes profissionais disponíveis 24 horas por dia e que pode ser acessada por celulares, tablets e computadores. Por meio de uma vídeo-chamada com uso de tecnologia avançada, o serviço garante ao surdo o direito de ser atendido em seu próprio idioma, promovendo inclusão. “Escolhi falar sobre o ICOM, porque meu desejo é estar ao lado da minha comunidade surda e poder quebrar paradigmas da comunicação e esta barreira que ainda persiste em existir em relação à LIBRAS”, afirma Adriano. 
Feliz com a mais recente conquista, ele agradece o apoio que recebeu da comunidade universitária. “Sou grato a Deus por me conceder vida, disposição e saúde para enfrentar este desafio que é estudar e me formar em Publicidade e Propaganda. Me proporciona uma realização pessoal, pois foram cinco anos de estudos e dedicação. Agradeço o carinho dos professores, o esforço de alguns colegas, tudo isso me fez uma pessoa melhor. Agradeço à PUC-SP, que me proporcionou uma formação acadêmica, isso não posso esquecer nunca!”.
Funcionário da TV PUC-SP, Guilherme Souza tinha desde a época do colégio o sonho de ingressar na Universidade. Ele acaba de terminar o curso de Comunicação e Multimeios, mas conta que por causa de sua deficiência motora enfrentou muitas dificuldades. “Quando terminei o Ensino Médio, prestei para Rádio e TV em outra Universidade, mas como não tinha a cadeira de rodas motorizada, não consegui ingressar, pois eu era bastante dependente para sair de casa. Em janeiro de 2014, consegui a cadeira de rodas motorizada que me deu mais independência para me locomover; foi quando em novembro do mesmo ano conheci o curso de capacitação da PUC-SP em parceria com a AACD, que me permitiu trabalhar e cursar a graduação na área de comunicação, que era o meu sonho”. A Fundação São Paulo, mantenedora da PUC-SP, através da Divisão de Recursos Humanos (DRH), buscou a parceria com a AACD para completar a cota de contratação de pessoas com deficiência em atendimento a lei de cotas (Lei 8213/91). A capacitação, aliás, foi o tema escolhido por Guilherme para o documentário que produziu como TCC. “É uma honra falar do curso de capacitação, porque transformou a minha vida e, com certeza, a de outros colegas que participaram. Foi uma forma de agradecimento a todas as pessoas que estiveram envolvidas nesse projeto, pela organização e pela forma como foi conduzido. Também quis trazer esse lado de que é um meio fundamental para pessoas que têm algum tipo de deficiência incrementarem suas possibilidades e ingressar no mercado de trabalho. Para alguns, é um ponto de partida, pois nunca trabalharam e a falta de experiência e qualificação adequada impedem que as empresas contratem. Este tipo de qualificação é de suma importância, porque qualquer pessoa pode adquirir uma deficiência e o curso também tem a função de reinserção dessas pessoas no mercado de trabalho. Só tenho a agradecer à PUC-SP e à AACD.”

Outro desafio, segundo Guilherme, foi concluir a graduação em tempos de pandemia. “Quase tranquei no primeiro semestre, mas observando os protocolos que permitiram o distanciamento social e a possibilidade de fazer o trabalho à distância, com entrevistas remotas, tomei a coragem de seguir com o documentário no segundo semestre e consegui finalizar o TCC”.
A parceria com a AACD, assim como com a Derdic, instituição sem fins lucrativos, mantida pela Fundasp e vinculada academicamente à PUC-SP, que atua na educação, acessibilidade e empregabilidade de surdos e no atendimento clínico a pessoas com alterações de audição, voz e linguagem, e com a Associação de Deficientes Visuais e Amigos – ADEVA, previu a seleção, contratação e formação de pessoas com deficiência. A formação envolveu rotinas administrativas, informática e postura profissional.
"É maravilhoso acompanhar o empenho daqueles que, sejam pessoas com deficiência ou não, abraçam a oportunidade de crescimento que a Universidade oferece. Cumprir a cota, atende a lei, mas ver a formação acontecer, formar pessoas, faz cumprir nossa missão", afirma a gerente da DRH, Angela Renna.