Funcionários falam sobre inclusão em TCC e relatam a própria experiência

Adriano Maia, que acaba de se formar em Publicidade e Propaganda, é surdo; Guilherme Souza é cadeirante e concluiu Comunicação e Multimeios

por Mara Fagundes | 14/12/2020 - 00h

Muitas são as semelhanças na vida do agente de suporte acadêmico Adriano Maia e do auxiliar administrativo Guilherme Souza. Os dois são funcionários da PUC-SP, ambos acabam de concluir a graduação e inclusão foi o tema escolhido por eles para o TCC. Mas talvez a maior delas seja justamente a que norteou todos os desafios da vida universitária: ambos possuem deficiência.

Surdo desde o nascimento, Adriano Maia, que integra a equipe da Direção do campus Monte Alegre, sempre sonhou com o diploma, mas precisou vencer barreiras dentro de sua própria casa para acreditar que seria capaz de chegar ao ensino superior. Como funcionário da PUC-SP, ele teve direito a uma bolsa de estudos e não perdeu a oportunidade de cursar Publicidade e Propaganda. Em seu TCC, Adriano falou sobre o ICOM, um serviço de tradução de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) em tempo real, uma tecnologia inovadora que facilita a comunicação entre surdos e ouvintes, destinada a empresas, órgãos públicos e pessoas físicas, com intérpretes profissionais disponíveis 24 horas por dia e que pode ser acessada por celulares, tablets e computadores. Por meio de uma vídeo-chamada com uso de tecnologia avançada, o serviço garante ao surdo o direito de ser atendido em seu próprio idioma, promovendo inclusão. “Escolhi falar sobre o ICOM, porque meu desejo é estar ao lado da minha comunidade surda e poder quebrar paradigmas da comunicação e esta barreira que ainda persiste em existir em relação à LIBRAS”, afirma Adriano. 

Feliz com a mais recente conquista, ele agradece o apoio que recebeu da comunidade universitária. “Sou grato a Deus por me conceder vida, disposição e saúde para enfrentar este desafio que é estudar e me formar em Publicidade e Propaganda. Me proporciona uma realização pessoal, pois foram cinco anos de estudos e dedicação. Agradeço o carinho dos professores, o esforço de alguns colegas, tudo isso me fez uma pessoa melhor. Agradeço à PUC-SP, que me proporcionou uma formação acadêmica, isso não posso esquecer nunca!”.

Funcionário da TV PUC-SP, Guilherme Souza tinha desde a época do colégio o sonho de ingressar na Universidade. Ele acaba de terminar o curso de Comunicação e Multimeios, mas conta que por causa de sua deficiência motora enfrentou muitas dificuldades. “Quando terminei o Ensino Médio, prestei para Rádio e TV em outra Universidade, mas como não tinha a cadeira de rodas motorizada, não consegui ingressar, pois eu era bastante dependente para sair de casa. Em janeiro de 2014, consegui a cadeira de rodas motorizada que me deu mais independência para me locomover; foi quando em novembro do mesmo ano conheci o curso de capacitação da PUC-SP em parceria com a AACD, que me permitiu trabalhar e cursar a graduação na área de comunicação, que era o meu sonho”. A Fundação São Paulo, mantenedora da PUC-SP, através da Divisão de Recursos Humanos (DRH), buscou a parceria com a AACD para completar a cota de contratação de pessoas com deficiência em atendimento a lei de cotas (Lei 8213/91). A capacitação, aliás, foi o tema escolhido por Guilherme para o documentário que produziu como TCC. “É uma honra falar do curso de capacitação, porque transformou a minha vida e, com certeza, a de outros colegas que participaram. Foi uma forma de agradecimento a todas as pessoas que estiveram envolvidas nesse projeto, pela organização e pela forma como foi conduzido. Também quis trazer esse lado de que é um meio fundamental para pessoas que têm algum tipo de deficiência incrementarem suas possibilidades e ingressar no mercado de trabalho. Para alguns, é um ponto de partida, pois nunca trabalharam e a falta de experiência e qualificação adequada impedem que as empresas contratem. Este tipo de qualificação é de suma importância, porque qualquer pessoa pode adquirir uma deficiência e o curso também tem a função de reinserção dessas pessoas no mercado de trabalho. Só tenho a agradecer à PUC-SP e à AACD.”

Outro desafio, segundo Guilherme, foi concluir a graduação em tempos de pandemia. “Quase tranquei no primeiro semestre, mas observando os protocolos que permitiram o distanciamento social e a possibilidade de fazer o trabalho à distância, com entrevistas remotas, tomei a coragem de seguir com o documentário no segundo semestre e consegui finalizar o TCC”.

A parceria com a AACD, assim como com a Derdic, instituição sem fins lucrativos, mantida pela Fundasp e vinculada academicamente à PUC-SP, que atua na educação, acessibilidade e empregabilidade de surdos e no atendimento clínico a pessoas com alterações de audição, voz e linguagem, e com a Associação de Deficientes Visuais e Amigos – ADEVA,  previu  a seleção, contratação e formação de pessoas com deficiência. A formação envolveu rotinas administrativas, informática e postura profissional.

"É maravilhoso acompanhar o empenho daqueles que, sejam pessoas com deficiência ou não, abraçam a oportunidade de crescimento que a Universidade oferece. Cumprir a cota, atende a lei, mas ver a formação acontecer, formar pessoas, faz cumprir nossa missão", afirma a gerente da DRH, Angela Renna.

 

 

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