Histórias de calouros de medicina: Ligas acadêmicas e projetos extracurriculares ajudaram a superar desafios
Nesta série de três matérias especiais, apresentamos trajetórias de estudantes do...
Ao ingressar no curso de Medicina da PUC-SP, Giovanna Aparecida Dearo Salmazo decidiu que sua formação não ficaria restrita às aulas. Desde as primeiras semanas, a estudante de 19 anos, natural de Sorocaba, procurou conhecer projetos e atividades extracurriculares que estivessem relacionados aos seus interesses, porém, estabelecendo o cuidado de apenas assumir os compromissos que não prejudicassem os estudos.
A decisão aproximou a caloura de iniciativas como os projetos Pontes e VITA, além de ligas acadêmicas, atividades científicas e grupos de convivência. Para Giovanna, envolver-se com a vida universitária tornou mais fácil conhecer pessoas, sentir-se parte da Faculdade e descobrir maneiras de colocar seus conhecimentos a serviço de outras pessoas. “Procurei atividades que tivessem a ver com a minha personalidade e que não prejudicassem a organização dos estudos, sobretudo neste início de curso. O começo já traz muitas novidades, principalmente por causa do PBL, que é completamente diferente do método do colégio e do cursinho”, conta.
O principal envolvimento de Giovanna tem sido com o Projeto Pontes, iniciativa que ela já conhecia desde o Ensino Médio. Criado por estudantes da Medicina da PUC-SP, o projeto oferece preparação gratuita para o vestibular aos alunos de baixa renda provenientes da rede pública e tornou-se um programa de extensão universitária ligado ao Centro Acadêmico Vital Brazil.
Ela também participou de ações promovidas pelo VITA, projeto de extensão criado por estudantes da Medicina da PUC-SP para desenvolver atividades de saúde voltadas às populações em situação de vulnerabilidade. A iniciativa atua em colaboração com outros projetos voluntários e busca ampliar o acesso ao cuidado em diferentes comunidades de Sorocaba.
Giovanna também passou a frequentar algumas ligas acadêmicas e conseguiu uma oportunidade de estágio por meio de uma delas. Adicionalmente, começou a acompanhar as reuniões da Sociedade Universitária Médica de Estímulo à Pesquisa (Sumep), com a intenção de participar mais ativamente das atividades científicas no próximo ano.
Por ser natural de Sorocaba, ela permaneceu na casa dos pais, o que facilitou parte da transição para a vida universitária. Ainda assim, passa quase todo o dia na Faculdade. Segundo Giovanna, estudar no campus ajuda a manter o foco, especialmente quando a rotina acadêmica não coincide com os horários e compromissos da família.
A adaptação ao PBL, metodologia baseada na discussão de problemas, foi uma das principais mudanças. Habituada às formas de ensino adotadas no colégio e no cursinho, ela precisou desenvolver uma nova maneira de estudar, pesquisar e participar das atividades em grupo.
A disciplina adquirida durante a preparação para o vestibular tornou-se uma aliada, mas Giovanna reconhece que o primeiro semestre também exigiu equilíbrio. Por isso, a escolha das atividades extracurriculares foi gradual, respeitando a prioridade dada à adaptação acadêmica.
Outro aspecto marcante do semestre foi o acolhimento recebido dos colegas. Giovanna afirma que construiu amizades desde as primeiras semanas e encontrou na Faculdade um ambiente favorável à integração. “O mais interessante tem sido conhecer pessoas de diferentes lugares, apresentar minha cidade a elas e construir novos vínculos. Fui muito bem recebida e auxiliada desde o começo”, diz.
A busca por espaços de convivência também a levou ao grupo Totus Tuus, formado por estudantes de diferentes anos e professores que se reúnem para momentos de oração, leitura e reflexão relacionados à fé católica. Para Giovanna, manter essa dimensão de sua vida dentro do ambiente acadêmico contribui para enfrentar as exigências da graduação sem se afastar de valores que considera importantes.
Ao concluir o primeiro semestre, ela reconhece que participar de projetos, ligas e grupos ajudou a tornar a transição mais rica. Sua experiência indica que o aprendizado para o calouro está justamente em conhecer as possibilidades, identificar aquelas que combinam com seus interesses e construir uma participação compatível com a rotina de estudos.