Homenagem de prof. Eugênio Trivinho a Paul Virilio (1932-2018)

Texto de docente da Comunicação e Semiótica foi escrito por ocasião da morte do teórico francês

por Redação | 21/09/2018 - 00h

No dia 18 passado, a comunidade intelectual internacional foi surpreendida com a notícia da morte do teórico francês Paul Virilio.

Informações contextualizadas podem ser obtidas em https://www.lemonde.fr/disparitions/article/2018/09/18/mort-de-l-urbaniste-philosophe-et-essayiste-paul-virilio_5356801_3382.html e em https://www.liberation.fr/debats/2018/09/18/mort-de-paul-virilio-penseur-de-l-acceleration-du-monde_1679527.

Para todos(as) os(as) que, ao longo das últimas quatro décadas, reconheceram a singularidade e a potência das ideias, propostas teóricas e conceitos de Virilio -- expressos à luz de uma sociodromologia fenomenológica avessa a todos os tipos de cooptação política, social e tecnológica --, bem como o lugar de seu pensamento na dinâmica epistêmica do trabalho intelectual em ciências humanas e sociais, a terça-feira passada -- em que o anúncio foi feito --, bem como o luto público na sequência, foram motivos de tristeza. (Na verdade, o falecimento havia ocorrido dias antes, em 10/09, conforme comunicado de Sophie Virilio, filha do filósofo; o documento está disponível em http://30ans.fondationcartier.com/wp-content/uploads/2018/09/Communique%CC%81_disparition_Paul_Virilio.pdf.)

Desde o seu inaugural Bunker Archeologie, de 1975, e, sobretudo, de Vitesse e Politique, de 1977 -- internacionalmente inovador --, foram anos intensos de reflexões originais e análises agudas que inseriram o nome deste livre pensador num capítulo muito distinto da história das ideias ocidentais.

Com notável serenidade -- aquela exclusivamente conferida por convicção profunda e imperturbável --, Virilio foi, entre outras virtudes intelectuais, um dissecador persistente de todas as formas "objetivadas" de neofascismo sistêmico, vale dizer, o fascismo de tipo obliterado, subsumido nos processos sociotecnológicos correntes e, por isso, normalmente menos perceptível.

Seu espírito crítico incondicional, especialmente atento às sutilezas da complexidade da vida na civilização tecnológica, torna Virilio incomparável no quadro contemporâneo da teoria social e, sem dúvida, um dos melhores intelectuais europeus dos últimos séculos. Seus brilhantes insights, peculiares somente a cutting edge thinkers, de avant-garde reflexiva e raro refino, expressa nas filigranas de seus temas recorrentes -- a guerra, a política, o espaço, a cidade, a velocidade, o tempo real, a imagem técnica, a arquitetura etc., todos em relação --, permanecerão doravante vivos em suas obras, entrevistas, vídeos e documentários, como um legado inconfundível.

Prof. Eugênio Trivinho

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