Iniciativa de estudantes de Medicina da PUC-SP aprova alunos da rede pública em vestibulares de faculdades federais e particulares
Em 2021, estudantes da Faculdade de Medicina da PUC-SP, campus Sorocaba, criaram um programa preparatório pré-vestibular gratuito a alunos de baixa renda provenientes da rede pública. Batizado de Cursinho Popular Pontes, ele traz resultados cada vez mais expressivos. No último vestibular, os estudantes conquistaram aprovações em universidades federais de prestígio, como USP, UFTM, UFSCar e UFJF, além de bolsas integrais pelo ProUni em instituições como Mackenzie e na própria PUC-SP, justamente no concorrido curso de Medicina.
Coordenado pelo Centro Acadêmico Vital Brazil (CAVB), o Pontes tem uma diretoria própria, formada por oito integrantes, e iniciou 2026 com 67 inscritos. “Os participantes são atendidos por 21 voluntários, todos do curso de Medicina da PUC-SP”, explica Nathália Lesia Taraborelli Veneri, diretora do projeto e quartanista de Medicina.
“Esta é uma iniciativa brilhante e louvável, pois reflete a consciência dos nossos estudantes em compartilhar seus conhecimentos”, afirma o diretor da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde (FCMS) da PUC-SP, professor-doutor Godofredo Campos Borges.
A entidade dirigida por Nathália e seus colegas pleiteia fazer parte da Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), que receberá, neste ano, R$ 108 milhões do Ministério da Educação para contemplar 514 iniciativas em todo o Brasil. "Conquistar esse recurso nos permitirá ampliar significativamente nosso impacto", reflete. As metas incluem aumentar o número de aprovações; promover atividades extracurriculares, como excursões e eventos de integração com os alunos; e fortalecer a participação do projeto na própria rede nacional de cursinhos populares.
Motivações pessoais
Nathália iniciou no Pontes como professora de Geopolítica e, aos poucos, assumiu responsabilidades maiores, até chegar à liderança do cursinho. Para ela, a maior recompensa do trabalho voluntário está no olhar de esperança dos alunos. “Acompanhamos todo o processo do vestibular: as aflições, dúvidas e medos ao longo do ano. No fim, celebrar as aprovações é o ápice de fazer parte deste programa”, diz. Ver os estudantes acreditando nos próprios sonhos e enxergando que é possível alcançar coisas extraordinárias por meio da educação é, segundo Nathália, uma das maiores alegrias que a fazem continuar no projeto.
A monitora de Repertório, Ana Tomita, aluna do 3º ano de Medicina da PUC-SP, carrega consigo desde os tempos de escola uma frase de Malala Yousafzai: “Um livro, uma caneta, uma criança e um professor podem mudar o mundo”. Após um ano e meio no Pontes, ela compreendeu a dimensão dessas palavras. “Eu não entendia completamente até vivenciar, de perto, o potencial da educação popular”, conta.
Ana se inscreveu para ajudar alunos a serem aprovados nos vestibulares, mas descobriu que o verdadeiro trabalho acontecia no processo e que, de todos os lugares por onde passou academicamente, o Pontes foi o mais especial. “A cada dúvida, mensagem e diálogo, percebi
que os alunos aprendiam a ser pessoas críticas, questionadoras, dispostas a melhorar este mundo", relembra.
Um momento especial que materializa sua experiência ocorreu quando mencionou um trecho de livro e um estudante o pediu emprestado, para que pudesse tirar suas próprias conclusões. Ali, Ana percebeu que seu papel tinha sentido. No dia da despedida, pensou em falar sobre o privilégio de ensinar, mas não seria justo, pois o que viveram, de acordo com ela, foi uma troca real. "Foi uma honra compreender que o conhecimento só faz sentido quando se torna coletivo. A educação popular pode mudar o mundo", conclui.
Como se inscrever
Os interessados em saber mais sobre o Cursinho Popular Pontes podem entrar em contato pelo Instagram (@projetopontes.sorocaba) ou pelo e-mail projetopontes.ca@gmail.com



