“Longa Jornada Noite Adentro" estreia no Tucarena

Obra máxima de de Eugene O´Neill ganha versão idealizada, traduzida e dirigida por Sergio Módena e conta com a atriz Ana Lucia Torre no papel principal

por Redação | 23/06/2022 - 00h

Estreia no dia 25/6, no Tucarena, o espetáculo “Longa Jornada Noite Adentro", de Eugene O´Neill. Considerada a obra máxima do autor a peça ganha versão idealizada, traduzida e dirigida por Sergio Módena e conta com a atriz Ana Lucia Torre no papel principal.Trata-se de uma das mais relevantes obras do teatro do século XX - para muitos críticos ela marca, inclusive, o surgimento do teatro moderno nos EUA - e vencedora do Prêmio Pulitzer, em 1957.

O texto é um depoimento autobiográfico que revela os dramas da família Tyrone. Ana Lucia Torre interpreta Mary, personagem sem adornos ou artifícios que esconde dos filhos seu vício em morfina. “É a primeira vez que faço um texto de O´Neill. Embarcar nessa personagem múltipla é de muita profundidade e responsabilidade. Afinal, atrizes deslumbrantes já representaram Mary Tyrone”, afirma Ana Lucia Torre. E ela tem razão. No Brasil, por exemplo, a personagem já foi interpretada por Cacilda Becker, Nathália Timberg e Cleyde Yáconis. Nos EUA, em 1962, o texto ganhou versão para o cinema, com Katharine Hepburn no papel principal, o que lhe rendeu uma indicação ao Oscar e o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes.

A peça é um retrato cruel da vida real, da alma humana e transcende a época em que foi escrita, pois trata de experiências que, de uma maneira ou de outra, muitos se identificam, seja em relação à maneira como as relações familiares são construídas ou pelos questionamentos existenciais dos personagens. “Longa Jornada Noite Adentro”, portanto, está longe de ser um drama burguês. É uma tragédia contemporânea.

A OBRA

“Longa Jornada Noite Adentro” é um drama familiar que se passa em 1912 e em um único dia. A ação acontece na casa de veraneio dos Tyrone. O patriarca da família, James, é um homem idoso que há muito abandonou as aspirações de ser um grande ator, escolhendo viajar apresentando sempre a mesma peça, que lhe rende um bom dinheiro. Sua esposa, Mary, largou seus sonhos de menina (se tornar atriz ou freira) para acompanhar o marido nas constantes turnês. Ela se tornou viciada em morfina, com pouco ou nenhum contato com a realidade, desde o nascimento do filho mais novo.

O casal tem dois filhos: o mais velho, Jamie, é um ator fracassado que foi "forçado" a seguir os passos do pai e se tornou um alcoólatra, visto que não era capaz de se manter em nenhum outro emprego. Jamie tem inveja do talento do irmão mais novo, Edmund, um jovem que pretende se tornar escritor, mas pode ter sua carreira abreviada pela tuberculose. Edmund, influenciado pelo irmão mais velho, também se envereda pela bebida, pois se sente culpado pelo vício da mãe e não suporta vê-la em tal estado. A criada da casa, Cathleen, acompanha a ação e algumas vezes tenta dar apoio a Mary, sem sucesso.

Enfrentamentos constantes acontecem durante esse dia e o texto vai expondo, gradativamente, o passado turbulento da família. A jornada de um longo dia termina numa noite infernal, na qual os três homens da família se embriagam enquanto Mary, tomada pelos efeitos da morfina, fala como se ainda fosse jovem, absolutamente desconectada da realidade. Do lado de fora da casa, a neblina se torna cada vez mais densa e intensa, sugerindo que as feridas da família Tyrone são incuráveis.

“Os personagens se acorrentam em um círculo vicioso. Se punem e são punidos, julgam e são julgados, perdoam e são perdoados, tudo com o intuito de expurgar os próprios ressentimentos e as marcas deixadas pelo outro”, explica o diretor e adaptador do texto, Sergio Módena. Segundo ele, o realismo de O’Neill é permeado de fortes signos, metáforas e simbologias. “É o que podemos chamar de realismo poético”, ressalta o diretor. Para Ana Lucia Torre, Mary Tyrone é um turbilhão e um enorme desafio. “Esse texto é o sonho de qualquer atriz. A melhor coisa na vida e nessa profissão é ter desafios e aprender a superá-los. Posso dizer que estou vivendo num inferno, com a Mary, e ao mesmo tempo nas nuvens”, finaliza Ana Lucia Torre.

A MONTAGEM

Além de Ana Lucia Torre no papel de Mary Tyrone, o espetáculo conta com as participações de Luciano Chirolli (James), Gustavo Wabner (Jamie), Bruno Sigrist (Edmund) e Mariana Rosa (Cathleen).

A encenação de Sergio Módena, também idealizador do projeto, pretende quebrar o realismo e construir, através da cenografia de André Cortez, um espaço metafórico onde acontece esse grande embate entre os personagens. O figurino tem a assinatura de Fábio Namatame, com roupas que expressam a ideia de atemporalidade, sem se prender a uma reconstituição histórica de determinado período. A trilha sonora de Marco França segue a mesma linha, inspirada em estruturas musicais de composições clássicas, mas com sutis e modernas sonoridades. A produção é da Morente Forte Produções Teatrais.

Informações e imgressos: www.teatrotuca.com.br.

PARA PESQUISAR, DIGITE ABAIXO E TECLE ENTER.