Parkinson: cerca de 1% da população sofre da enfermidade neurológica crônica

Participação da profa. Maria Beatriz Marcondes Macedo Montaño (Medicina)

por Redação | 07/04/2021 - 00h

Celebrado em 11 de abril, o Dia Mundial do Parkinson faz um alerta sobre a doença. “Trata-se de uma enfermidade neurológica crônica, que se caracteriza por, pelo menos, dois sintomas dentre um grupo formado por tremor de repouso e grosseiro (quando as mãos estão paradas), rigidez muscular, lentificação na marcha (dificuldade em se movimentar, passos que podem ser curtos e arrastados) e alteração de postura e equilíbrio”, explica a geriatra e gerontóloga Maria Beatriz Marcondes Macedo Montaño, que também é docente do Departamento de Saúde Coletiva da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde (FCMS) da PUC-SP, membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e mestre e doutora pela Escola Paulista de Medicina.

Na maioria dos casos, os primeiros sintomas começam a se manifestar a partir dos 50 anos de idade. O Parkinson leva à diminuição da dopamina, neurotransmissor responsável pelo sistema motor e pelos movimentos voluntários. A doença já começa anos antes de os sinais motores aparecerem, o que torna o diagnóstico ainda mais difícil.

Sobre os sintomas, a doutora Maria Beatriz enfatiza que nem sempre a doença de Parkinson (DP) se apresentará somente a partir dos tremores, além do fato de que somente eles não são indicativos. “Há, por exemplo, o tremor essencial ou senil, que é um tremor fino de extremidades, exacerbado quando a pessoa pega um objeto, como uma xícara, por exemplo. Por outro lado, há medicamentos que podem provocar estes sintomas parkinsonianos, como alguns antipsicóticos e outros indicados para a tontura (popularmente conhecida como ‘labirintite’), assim como alguns para dispepsia ou vômito.”

Ainda de acordo com a especialista, há sintomas que precedem a DP, como a depressão, alteração do olfato e sono e constipação intestinal. “Com a evolução da DP, há piora dos sintomas motores ou do movimento e aparecem sintomas não motores, como alteração da fala (diminuição do volume da voz), da deglutição (engasgos), acúmulo de saliva na boca, maior oleosidade na pele e cabelos, apatia e, na fase mais avançada, demência (alteração da memória, pensamento e raciocínio, podendo aparecer sintomas comportamentais, como delírios e alucinações)”.

Atualmente, cerca de 70% dos casos de DP são esporádicos e 30% têm histórico familiar presente, com alterações genéticas herdadas. “De qualquer forma, a base dos sintomas é a deficiência de dopamina – mais especificamente, de uma região chamada substância negra”, explica a professora-doutora Maria Beatriz. “A doença acomete ambos os sexos, com ligeiro predomínio no sexo masculino, aparecendo após os 50 anos. Sua prevalência é de 150 a 200 por 100.000 habitantes, sendo que, acima dos 65 anos, acomete 3% da população, segundo estudo brasileiro em Bambuí (MG)”, conta.

O tratamento da DP se baseia na reposição da dopamina, por meio de uma droga denominada levodopa. “Ela consegue controlar os sintomas motores e os não-motores, mas deve ser prescrita por um médico, que deverá fazer o diagnóstico e introduzir este medicamento de forma gradativa e fracionada, longe das refeições, devido às características da mesma. O médico deve acompanhar o tratamento (que se modifica com o passar do tempo) e estar atento a efeitos colaterais, aparecimento de outros sintomas ou ao avançar da doença”, orienta a docente da FCMS.

O tratamento não medicamentoso é também muito importante, incluindo a fisioterapia, para o equilíbrio, postura e marcha; o tratamento com fonoaudiólogo, para a fala e deglutição; o acompanhamento nutricional, para evitar a desnutrição e a perda da massa muscular; e o psicológico ou com terapeuta ocupacional, para estimulação cognitiva. “Enfim, o tratamento é multidisciplinar, envolvendo o cuidador – ou seja, a pessoa próxima que deverá contar com todo o apoio e orientação da equipe.”

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