PUC-SP lança projeto Filhas de Francisco para ampliar acolhimento a mulheres em situação de violência
Iniciativa reúne atendimento jurídico, apoio psicológico e monitoramento de risco, com...
Iniciativa reúne atendimento jurídico, apoio psicológico e monitoramento de risco, com atuação dentro e fora da Universidade
Em um cenário de aumento da violência contra mulheres e meninas no Brasil, a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) lançou, na manhã desta quarta-feira (25), o projeto Filhas de Francisco, iniciativa que visa oferecer atendimento jurídico integral, apoio psicológico e monitoramento de risco a mulheres em situação de violência. O evento ocorreu no auditório 117-A do prédio Edifício Bandeira de Mello, no campus Monte Alegre, e reuniu docentes, estudantes, funcionários e membros da comunidade.
“Este projeto reafirma o compromisso da PUC-SP com os direitos humanos e com a construção de uma sociedade mais justa. Ele só se torna possível graças ao engajamento coletivo de docentes, estudantes e profissionais que acreditam nessa causa”, ressaltou a vice-reitora Carla Longhi.
Resultado de uma parceria entre o Escritório Modelo Dom Paulo Evaristo Arns, da Faculdade de Direito, e a Clínica de Direitos da Mulher, o projeto tem como objetivo ampliar o acesso à proteção e à orientação especializada, tanto para integrantes da universidade quanto para mulheres da sociedade em geral.
A mesa de lançamento foi composta pelas professoras Valéria Scarance, Silvia Pimentel e Flávia Pinheiro, da Faculdade de Direito, além da vice-reitora Carla Longhi, da jornalista e historiadora Cris Flores e da estudante Ione Silva, primeira-secretária do Centro Acadêmico 22 de Agosto.
Chamado coletivo à proteção das mulheres
Na abertura dos trabalhos, Valéria Scarance, que também integra os quadros do Ministério Público de São Paulo, propôs como atividade letiva aos alunos presentes uma reflexão: “Como vocês podem colaborar com o projeto? . A pergunta orientou o tom do encontro, marcado pelo convite ao engajamento coletivo no enfrentamento à violência de gênero. “O conhecimento jurídico, por si só, não nos livra da violência. O que faz diferença é o acolhimento. Queremos garantir que mulheres tenham acesso rápido a medidas protetivas e saibam que não estão sozinhas”.
Compondo a mesa como mediadora, a aluna Ione Silva destacou a urgência de respostas institucionais. “Os números crescem e, com eles, cresce também a nossa responsabilidade de não nos calarmos diante dessa realidade”, ao convocar a comunidade a se envolver com a iniciativa.
Palestra de Chirs Flores
Chris Flores, jornalista e historiadora formada pela PUC-SP, ministrou palestra sobre seu tema de mestrado na Instituição, no qual estuda como a história de Nenê Romano (1898–1923), uma das mais conhecidas cortesãs da São Paulo e assassinada em 1923, foi retratada pela imprensa da época. Ao traçar paralelos entre o passado e o presente, Flores chamou atenção para a permanência de práticas de violência e julgamento moral contra mulheres.
“Quando a gente julga as mulheres nas redes sociais ou decide o que elas podem ou não podem fazer, a gente reforça estruturas que sustentam a violência. Precisamos ser vozes ativas para não normalizar isso”, alertou.
Referência na elaboração da lei Maria da Penha, Silvia Pimentel destacou como, historicamente, mulheres vítimas de violência são frequentemente responsabilizadas nos próprios processos. “Há décadas já se demonstrava que, quando a vítima é mulher, ela acaba sendo transformada em culpada. Precisamos enfrentar essa lógica e ampliar o debate para além dos muros da universidade”.
Embaixadoras do projeto
Durante o evento, foram exibidos vídeos com depoimentos das apresentadoras Luiza Brunet e Ana Hickmann, que passam a atuar como embaixadoras do projeto. Ambas já tornaram públicas experiências pessoais de violência e hoje utilizam sua visibilidade para incentivar o acolhimento e o enfrentamento desse tipo de crime.
Durante o encerramento, a professora Flávia Pinheiro relembrou a origem da proposta, construída ao longo do último ano. “Este projeto nasce de um sonho coletivo: usar a excelência acadêmica para transformar realidades e oferecer respostas concretas à sociedade”.
Como ato final, foi realizada a assinatura do termo de compromisso do projeto, marcando oficialmente o início das atividades do Filhas de Francisco. Com a iniciativa, a PUC-SP reforça seu papel como agente ativo na promoção dos direitos humanos e no enfrentamento à violência de gênero, apostando na integração entre ensino, pesquisa e extensão como caminho para a transformação social.