Turma da Mônica lança personagem surda com apoio da Derdic

Sueli é uma garota de 9 anos, fã de esportes

por Bete Andrade | 11/05/2022 - 00h

A Turma da Mônica lança, durante a 24ª Surdolimpíadas de Verão, a sua primeira personagem surda: Sueli, uma garota de 9 anos, fã de esportes. Para criar a menina, os estúdios da Mauricio de Sousa Produções contaram com a colaboração da Divisão de Educação e Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação (Derdic), unidade mantida pela Fundação São Paulo e vinculada academicamente à PUC-SP.

A estreia da personagem aconteceu em postagens nas redes sociais realizadas pelo Instituto Mauricio de Sousa e a 24ª Surdolimpíadas de Verão, no dia 1º maio. Essa é a primeira vez que o evento acontece no Brasil e vai reunir atletas surdos de mais de 77 nacionalidades, que irão disputar diversas modalidades, sendo elas 20 masculinas e 18 femininas, entre os dias 1º e 15/5, em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul.

Segundo os estúdios da Mauricio de Sousa Produções, a ideia de criação da Sueli nasceu de uma vontade antiga do desenhista e ganhou forma com a realização do evento olímpico. “A Turma da Mônica já apareceu em várias histórias se comunicando com Libras, e já fazia tempo que eu pensava em trazer uma personagem surda para fazer parte da turminha. O fato de as Surdolimpíadas acontecerem pela primeira vez no Brasil foi um ótimo incentivo para que a Sueli finalmente nascesse”, diz Mauricio de Sousa, pai da Turma da Mônica.

A parceria teve início em 2018, quando a Derdic foi procurada pela equipe do desenhista. Participaram do projeto a superintendente, profa. Beatriz Novaes, a diretora escolar da unidade, profa Fernanda Cortez, a orientadora educacional, profa. Lara Demarco, a profa. de português e interprete de Libras, Nathalia Gonçalves, além dos professores da Língua Brasileira de Sinais (Libras)  Karina Vaneska e Tiago Codogno Bezerra.

“Foi com grande prazer que recebemos o convite da equipe do Maurício de Sousa, pois isso vai aumentar a visibilidade da comunidade surda e possibilitar a divulgação da Libras entre crianças, adolescentes e público em geral”, afirma Tiago. Para ele a possibilidade dos fãs dos quadrinhos terem informações sobre o "mundo" dos surdos mais cedo, fará com que sejam conscientizados da importância da inclusão desse público em qualquer ambiente, gerando mais respeito e empatia.

A transposição da língua de sinais para a escrita e para os quadrinhos é perfeitamente possível, segundo a equipe da Derdic, inclusive já existem livros com esse conteúdo. “Vários professores surdos que lecionam Libras ou que trabalham como designer já desenham personagens surdos que se comunicam em Libras. A possibilidade de mais divulgação da Língua de Sinais é algo que consideramos incrível”, explica Karina.

Para Lara, o projeto foi a oportunidade perfeita para dar maior visibilidade aos surdos. “Tivemos uma discussão sobre a diferença entre surdo e mudo, na qual a equipe da Derdic também orientou sobre o uso de Libras, cultura e comunidade surda”, avaliou a professora.

Com a chegada de Sueli, nova moradora do bairro do Limoeiro, a Turma da Mônica marca a representatividade da Comunidade Surda. Lembrando, que já possui personagens como Luca, cadeirante; Dorinha, deficiente visual; Tati, com síndrome de Down; e André, autista.

Para a profa. Beatriz Novaes, a Derdic como instituição tem um papel importante na integração da inclusão social e educacional do surdo, com atividades como o ensino fundamental na escola da divisão, na clínica com o diagnóstico de bebês que vêm da maternidade e tem a colocação de aparelhos com 4 ou 5 semanas depois do nascimento e a colocação profissional do surdo adulto. Para ela, a divulgação da Libras com os quadrinhos da Turma da Mônica é fundamental pela amplitude que a ação pode ganhar.

“A Derdic tem trabalhado bastante no fortalecimento da Libras como uma língua, pois muitas vezes, para o leigo que não tem convivência com a comunidade, ela é só um meio de comunicação, quando na verdade trata-se de uma língua com gramática e estrutura próprias. Acredito que um personagem surdo, que usa Libras, em todos os meios de comunicação, formaliza a existência dessa língua, e vai ensinar para as crianças que existem pessoas surdas e que falam uma outra língua”. 

A Derdic é uma instituição sem fins lucrativos, que atua na educação, acessibilidade e empregabilidade de surdos e no atendimento clínico a pessoas com alterações de audição, voz e linguagem. O trabalho institucional prioriza famílias economicamente desfavorecidas e beneficia pessoas de todas as faixas etárias.

 

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