FCMS e PUC-SP estão atentas à saúde mental e emocional dos primeiranistas da Medicina

por Redação / ACI PUC-SP | 24/02/2026

Estudantes de Medicina enfrentam riscos mais elevados de transtornos mentais se comparados a jovens que cursam outras graduações. Nos Estados Unidos, por exemplo, um estudo com 62 escolas médicas revelou índices acentuados de problemas psicológicos entre universitários da área. Diante desse cenário, a atual Reitoria da PUC-SP tem reforçado suas ações de apoio à saúde mental dos seus alunos, dentre os quais os acadêmicos da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde (FCMS), no campus Sorocaba.

Em 10 de fevereiro, a professora-doutora Lívea Athayde de Morais Ciantelli, psiquiatra e preceptora da FCMS, proferiu uma palestra aos ingressantes do curso de Medicina sobre essa questão. A atividade se inseriu no amplo Programa de Acolhimento da Universidade, lançado em novembro de 2025 pelo reitor Vidal Serrano Nunes Júnior.

Cultura de acolhimento, empatia e paz

Na ocasião do lançamento, o reitor explicou que o objetivo era aprimorar a articulação com as direções e coordenações das nove faculdades, visando "melhorar a atenção aos alunos, entendendo as dinâmicas de funcionamento da Universidade e como ela deve reagir e interagir com as questões que se apresentam". O programa realiza ações voltadas ao fortalecimento da cultura de acolhimento, empatia e paz no ambiente acadêmico.

O conceito de saúde mental

No início da palestra, Lívea apresentou a definição da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre saúde mental: "Trata-se do bem-estar no qual o indivíduo desenvolve suas habilidades pessoais, consegue lidar com os estresses da vida, trabalha de forma produtiva e encontra-se apto a dar sua contribuição para sua comunidade".

Mudanças e desafios

A psiquiatra explicou que o ingresso na faculdade é um momento importante de mudança, inclusive de paradigmas, pois eles passarão a cuidar de pessoas e terão contato com doentes e com a morte de forma precoce, considerando a média de idade desses estudantes. Isso se soma, de acordo com Lívea, a outros desafios, como mudar de cidade, morar sozinho pela primeira vez e estar longe da família – situações que, frequentemente, levam a algum grau de sofrimento.

Dados preocupantes no Brasil

"Sabemos pouco sobre os transtornos mentais entre médicos e estudantes no Brasil, porém, os dados têm se acumulado ao longo dos últimos anos. De forma sistematizada, vamos entendendo que vocês são um grupo de risco para adoecimento mental, o que nos leva à reflexão para que consigamos prevenir certas situações", afirmou a psiquiatra.

No Brasil, os números revelam um cenário preocupante: a depressão atinge 31% dos estudantes de Medicina pesquisados; o estresse afeta 50%; a ansiedade ou depressão

inespecífica alcança 36%; o uso problemático de álcool chega a 33%; e a privação de sono e a sonolência diurna excessiva atingem 51% e 47%, respectivamente.

Estressores específicos do curso de Medicina

De acordo com a psiquiatra, a ansiedade é, até certo ponto, positiva e necessária. Contudo, quando ela é desproporcional e recorrente a um evento – como antes de provas, por exemplo –, deve-se ficar atento.

Nesse contexto, os estudantes de Medicina ficam mais sujeitos a estressores específicos, como a necessidade de alta performance acadêmica, autoexigência excessiva, baixa tolerância a falhas, autoculpabilização por lacunas no conhecimento, maior vulnerabilidade a pressões, medo de errar e ideação de abandonar o curso.

Somam-se a esse cenário a sobrecarga horária, a privação de sono (principalmente após o início dos plantões), o contato diário com a dor e o sofrimento dos pacientes, o enfrentamento da morte e o relacionamento com pacientes e familiares que apresentam reações desproporcionais ou irracionais diante da situação.

A junção desses fatores pode gerar angústia, tensão e sofrimento e, em alguns casos, evoluir ao adoecimento do futuro médico.

Resiliência individual

Contudo, muitos estudantes conseguem atravessar esse cenário mantendo sua saúde mental e emocional preservadas. Isso depende de diversos aspectos, como história de vida, antecedentes pessoais e familiares, traços de personalidade e capacidade de regulação emocional. "Os estressores no curso de Medicina são percebidos de forma individual, subjetiva e atemporal", destacou Lívea.

Estratégias de prevenção

Para prevenir as consequências, recomenda-se aos estudantes de Medicina que adotem:

  •  estratégias educativas;
  • situacionais (eliminar os estressores possíveis e aceitar os inevitáveis, reinterpretando estes últimos, ou seja, identificando neles algo de positivo);
  • · e de enfrentamento com efeito duradouro (aprender a reconhecer e respeitar seus limites, adotar atitude ativa frente à vida, concentrar-se nas buscas de soluções e não nas emoções geradas pelos estressores, entre outros).

Além disso, eles são encorajados a buscar ajuda profissional aos primeiros sinais de sofrimento mental, que podem se manifestar no próprio corpo, na mente ou nas relações interpessoais.

Práticas para reduzir os sintomas

A redução dos efeitos causados pelos estressores pode ser alcançada com práticas como "férias mentais", técnicas de relaxamento, atividade física regular, alimentação balanceada, sono adequado e organização da rotina.

Segundo Lívea, iniciativas como as oferecidas pela PUC-SP, em particular pela FCMS, são fundamentais para proteger a saúde mental dos estudantes, dentre as quais encontram-se a assistência psicológica e psiquiátrica, rastreamento e identificação precoce de transtornos mentais, programas de tutoria, metodologias ativas de ensino, cuidado com o ambiente de aprendizado e ações de acolhimento aos primeiranistas, incluindo a integração com veteranos.

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