Ex-aluna iraniana produz pão persa em São Paulo

Roghayeh Jamaly cursou Português Brasileiro: Língua e Cultura na PUC-SP

por Bete Andrade | 18/10/2021 - 00h

Roghayeh Jamaly, nasceu no Teerã (capital do Irã), onde se formou em Língua Espanhola. Morou no país até 2011, quando resolveu vir para o Brasil como turista. Em São Paulo, conheceu a PUC-SP, se apaixonou pela Língua Portuguesa e resolveu fazer o curso Português Brasileiro: Língua e Cultura. Conheça a seguir a história da ex-aluna iraniana que, durante a pandemia, trocou o trabalho de guia turística pelo de produzir pães. "Faço tudo com muito carinho... No Irã temos muito respeito pelo pão, lá você anda nas ruas e nunca vê um pedaço caído no chão", conta Roghayeh.

 

JPUC – Como foi conhecer o Brasil?
Fiz um curso de guia de Turismo em Teerã e recebia grupos de países que falavam espanhol e o português brasileiro. Em 2009 e 2010 recebemos muitos grupos de brasileiros no Irã. Eu os guiava com meu espanhol, mas o que eu  adorava mesmo era escutar o sotaque brasileiro quando os turistas falavam durante os passeios. Sempre achei o brasileiro um povo muito simpático, alegre e amigável. Por isso, em 2011, decidi vir para o Brasil como turista para conhecer tantas belezas culturais e naturais, eu queria também ver amigos que fiz enquanto era guia no meu país. Passei um mês aqui, conhecendo várias cidades do Brasil. Minha primeira visita em São Paulo foi ao Museu da Língua Portuguesa. Me apaixonei e decidi aprender português, para atender melhor os brasileiros que chegavam ao Irã. Naquele momento eu ainda nem pretendia ficar aqui. 

JPUC – Como conheceu a PUC-SP?
Quando vim a São Paulo como turista, um amigo me apresentou a PUC-SP. Visitei a Universidade e assisti a alguns espetáculos no Tuca. Adorei o local e as pessoas, então resolvi fazer o curso Português Brasileiro: Língua e Cultura na Universidade.

JPUC – Por que resolveu ficar no Brasil?
Primeiro foi para aprender a Língua Portuguesa, mas gostei tanto do país e do povo lindo, que resolvi ficar e morar aqui. Sempre penso que o Irã é meu coração, mas dentro de meu coração tenho o Brasil. Amo os dois de mesma maneira!

JPUC – Com o que você trabalha?
Antes da pandemia, eu trabalhava levando brasileiros para conhecer minha terra natal. Fiz um curso de guia no Senac para isso. Também recebia iranianos no Brasil e os guiava em passeios, ministrava palestras de apresentação de viagem para Irã, trabalhei como tradutora (iraniana) persa-português e nas feiras de turismo e negócios. Na pandemia, como turismo parou, resolvi trabalhar fazendo pães.

JPUC – Como começou essa nova atividade?
Nos tempos de baixa temporada do turismo eu já fazia pães e doces para presentear pessoas queridas e conhecidos, nada profissional. Com a pandemia comecei a atender algumas encomendas de amigos. Eu não tenho padaria, faço no meu apartamento, com forno caseiro,... Eu acredito que o pão, no mundo inteiro, é farinha, água e fermento e o que muda em cada país são os recheios e as formas. Os brasileiros que não conhecem o Irã, também não conhecem os pães. Eu faço com tâmaras, purê de cenoura, geleia de cenoura...

JPUC – Qual diferencial dos pães que você produz?
São pães persas, nos quais uso sempre bons ingredientes como o azeite extravirgem, manteiga sem sal, mix de farinhas e farelos, ovos caipira e, o mais importante, faço com muito amor e carinho. Me preocupo com a saúde dos meus clientes. No Irã temos muito respeito pelo pão, lá você anda nas ruas e nunca vê um pedaço caído no chão.

Conheça os pães persas de Roghayeh Jamaly: www.instagram.com/nunjunpersa

 

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