Josildeth Consorte e Luiz Eduardo Wanderley: professora e professor eméritos

Conselho Universitário da PUC-SP concederá a honraria em sessão solene que será presencial e online, dia 18/8, no Tucarena

por Redação | 11/08/2022 - 00h

* O evento será presencial e terá transmissão online. Acesse aqui.

 

Josildeth Gomes Consorte e Luiz Eduardo Waldemarin Wanderley serão, a partir de 18/8, professores eméritos da PUC-SP. A honraria solicitada pelos docentes do departamento de Ciências Sociais é outorgada pelo Conselho Universitário (Consun) e celebra trajetórias que vão muito além de realizações e conquistas acadêmicas individuais. É o reconhecimento da PUC-SP à importância de ambos para a construção da história da pesquisa científica na Universidade e no Brasil, e a celebração de décadas de amizade e afeto oferecidos a centenas de orientandos, alunos e colegas de profissão.

Josildeth Gomes Consorte

Formada em Geografia e História (UFBA) e licenciada nas mesmas áreas pela Universidade do Brasil, atual UFRJ, Josildeth deu continuidade aos seus estudos cursando Antropologia e Sociologia na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, pós-graduação em Antropologia na Universidade de Columbia e Chicago, além de doutorado em Ciências Humanas – Antropologia pela PUC-SP.

A docente tem a marca do pioneirismo em sua carreira: no início da década de 1950 ela se formou em Antropologia, área ainda nova no país, estudou fora quando isso não era usual para mulheres, foi a primeira pesquisadora contratada pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais, criado e dirigido pelo educador Anísio Teixeira, e foi sócia fundadora da Associação Brasileira de Antropologia. Seu pioneirismo também se fez presente na PUC-SP, onde começou a lecionar em 1964 a convite da profa. Carmen Junqueira (Pós em Ciências Sociais): a docente ajudou na criação e na implantação do Ciclo Básico, experiência que unia todos os cursos em um ciclo comum de disciplinas nos primeiros semestres e que durou de 1971 a 1987.

Como docente da pós-graduação, no Programa de Ciências Sociais, Josi, como é conhecida entre colegas e alunos, atuou em diversas linhas de pesquisa, tendo orientado quase uma centena de trabalhos. A professora também é autora de inúmeros artigos, capítulos e livros e detentora de prêmios e medalhas por seu protagonismo e sua relevância nas áreas de Educação e Antropologia.

A criança favelada e a escola pública, obra publicada em 1957 e que aborda a educação no Rio de Janeiro, é ainda hoje um de seus trabalhos considerados mais importantes. O livro se tornou referência na reflexão sobre desigualdades sociais e exclusão produzidas pela escola pública. Outro tema que lhe trouxe projeção nacional é o das religiões de matriz africana, com pesquisas que abrangem o preconceito étnico racial e o papel da mulher no cenário religioso.

Atualmente, a professora coordena o Núcleo de Estudos “Identidade, cultura e memória”, do Pós em Ciências Sociais da PUC-SP. Veja a seguir trechos de depoimentos concedidos por ex-alunos (integrantes do memorial de solicitação de seu título de professora emérita):

“Tive a chance de tê-la como minha orientadora no mestrado e o percurso que trilhei, guiado por ela, me levou ao que de mais profundo existia na minha origem, a minha própria negritude... o intelectual negro que sou”, Acácio Almeida, pró-reitor de Assuntos Comunitários e Políticas Afirmativas da UFABC.

“Josi para mim é mais que uma professora. É uma educadora. Conviveu e trabalhou com pessoas também admiráveis como: Paulo Freire, Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira e, assim como eles, nos dá seu maior compromisso que é uma educação igualitária e voltada para uma sociedade transformadora em que possamos ser protagonistas de nossa vida social”, Arlete Fonseca de Andrade, pós-doutoranda e professora universitária

Luiz Eduardo Waldemarin Wanderley

A formação do professor foi realizada na Universidade de São Paulo, onde é graduado em Ciências Jurídicas e Sociais da Faculdade de Direito, mestre e doutor em Ciências Sociais, e livre-docente na Faculdade de Educação. Já o pós-doutorado, Wanderley realizou na École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris.

A história do professor com a PUC-SP teve início em 1973 e seguiu profícua por mais de 46 anos. O docente foi reitor da Universidade entre 1984 e 1988 e já orientou mais de uma centena de dissertações e teses. Foi professor titular e líder no Núcleo de Estudos Latino-Americanos (Nelam, Pós em Ciências Sociais), assessor “ad hoc” da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, participa do Conselho Consultivo do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação popular, e sócio da Ação Educativa.

Atuando em temas de pesquisa como democracia e Igreja Católica, movimentos sociais, educação popular, utopias, gestão pública e universidades, Wanderley não somente é autor de uma profícua bibliografia nacional e internacional na área, como também ajudou a forjar uma das principais características da PUC-SP: a da universidade comprometida com o bem público ou, como cunhou em 1985, uma universidade de caráter “público não estatal”, compromissada em formar profissionais, pesquisadores e docentes solidários com as transformações brasileiras.

Em um de seus artigos sobre a Universidade, Wanderley assim a define: “... a PUC de São Paulo por ter se transformado numa alternativa cultural e educacional, espaço de resistência política, centro de ideias e práticas autônomas e democráticas, instituição particular conhecida pelos seus esforços e realizações na defesa de um ensino e pesquisa qualificados, surge como um experimento exemplar dos limites e potencialidades da democracia universitária”. Mais atual do que nunca.

Veja a seguir trechos de depoimentos concedidos por ex-alunos (integrantes do memorial de solicitação de seu título de professor emérito):

“Professor Wanderley é imbuído de conhecimento acadêmico com o devido rigor e ética associados à militância, sendo essas virtudes mediadas pelo afeto e simplicidade, demonstrando assim a sua grandeza. Na verdade, ser simples é ser grande! Esse cidadão brasileiro pensa e age local e globalmente, pertencendo a uma rede de intelectuais de grande envergadura em diversos países”, Antônio Alves de Almeida, professor e ex-orientando de mestrado.

“Intelectual destacado que reflete questões importantes de educação popular, gestão pública e contribuições do catolicismo progressista para a democratização da sociedade, Luiz Eduardo Wanderley é um grande professor que prossegue deixando marcas em pesquisadores, entre os quais tenho o privilégio de estar incluso”, André Ricardo de Souza, professor da UFSCar e membro da Associação Brasileira de Pesquisadores de Economia Solidária.

 

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