Setembro Amarelo: "Vale acreditar na vida!"

Profa. Maria Helena Pereira Franco publica artigo sobre a questão do suicídio

por Redação | 11/09/2019 - 00h

Leia a seguir texto da profa. Maria Helena Pereira Franco, coordenadora doLaboratório de Estudos e Intervenções sobre o Luto (LELu, Pós em Psicologia Clínica):

 

Por que o Setembro Amarelo?

Profa. Dra. Maria Helena Pereira Franco

Em 2003 a Organização Mundial da Saúde – OMS escolheu o dia 10 de setembro para ser o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Por que esse dia e por que o amarelo?

Em 1994 um adolescente americano com 17 anos se suicidou. Ele fora um grande conhecedor de mecânica e restaurou sozinho um automóvel Ford Mustang, que pintou de amarelo. Seus amigos não haviam notado seu intenso sofrimento psicológico e ficaram muito abalados com a morte.  No dia do funeral, ofereceram aos presentes uma cesta com cartões amarrados com uma fita amarela – cor associada ao seu carro – nos quais se lia “Se você precisar, peça ajuda”. Os cartões se espalharam pelos Estados Unidos e se tornaram um meio de comunicar a necessidade de ajuda, diante de sofrimento psíquico, desamparo, solidão, pensamentos suicidas. Com a repercussão, a fita amarela se tornou o símbolo do programa que incentiva aqueles que têm pensamentos suicidas a procurar ajuda.

No Brasil, a campanha Setembro Amarelo teve início em 2015 pelo CVV – Centro de Valorização da Vida, Conselho Federal de Medicina – CFM, Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP.

O objetivo do Setembro Amarelo é quebrar o tabu sobre o suicídio, incentivar as pessoas a conversarem sobre o assunto e ajudar a quem está em situação de vulnerabilidade.

Segundo a OMS, de 800.000 a 1.000.000 pessoas morrem por suicídio, por ano. Ou a cada 40 segundos alguém apresenta uma tentativa contra sua vida, no mundo. Estes dados são subestimados, porque nem sempre a causa da morte é claramente ligada ao ato suicida. Relaciona-se o suicídio à presença dos chamados três ”Is” relativos à dor psíquica: intolerável, incapaz, interminável. No entanto, as medidas de prevenção buscam fazer com que essa dor possa ter solução, que não seja a morte. Falamos das forças pró-vida:

  • Acreditar que os problemas podem ser solucionados e ate mesmo levar a crescimento
  • Perceber habilidades para resolver problemas
  • Desejo de lutar com coragem, para não viver essa dor
  • Ter saudável medo da morte e suas consequências

Para cada pessoa que chega a um atendimento hospitalar de emergência, em consequência de uma tentativa de suicídio, 3 tiveram tentativas não tão graves, 5 traçaram planos para se matar e 17 apresentaram pensamentos relativos a se matar. Ou seja, há muitos tempos e níveis de prevenção diretamente relacionados ao ato suicida.

Pelo impacto de dor e sofrimento que o suicídio causa e também considerando os fatores que antecedem o ato, vale muito prevenir e ficar atento a estes sinais:

- Transtornos mentais, como depressão.

- Tentativas anteriores de suicídio

- Pensar em suicídio, a partir de sentir-se desesperado/a, desesperançado/a

- Ter vivido ou estar vivendo situações críticas como perdas e separações

- Apresentar comportamentos de despedida, como escrever bilhetes ou mensagens, desfazer-se de objetos pessoais

- Ter acesso aos meios propícios ao suicídio, como armas, medicação.

- Apresentar comportamento impulsivo, agravado por uso de álcool e/ou drogas

- Traumas na infância e adolescência, como abusos físicos, sexuais, psicológicos.

- Pensamentos negativos, vendo a morte como a saída.

- Presença de doenças crônicas em fase final.

Você pode estar próximo de alguém que apresente esses fatores de risco e quer ajudar a pessoa, para que o suicídio não ocorra. Há ações importantes, sendo que escutar é a maior delas. Escutar não significa dar conselhos, e sim, estar presente, próximo àquela pessoa, acolhe-la. Ouvir com o coração aberto, sem julgar. Se possível, não deixe a pessoa sozinha.

Você pode também incentivar a procura por profissionais da área da Saúde, sobretudo psicólogos e psiquiatras. Também ligar para o CVV – 188, gratuito em todo o país, é uma opção, para que a pessoa possa falar sobre o que está vivendo ou pensando fazer.

Mantenha contato com a pessoa e, em risco imediato, não a deixe sozinha. Peça a presença de familiares e amigos dela, para que o cuidado seja ampliado.

O luto desencadeado pelo suicídio é prolongado, doloroso e apresenta influência em várias gerações, com sentimentos de vergonha e de culpa. Afeta familiares, amigos, parceiros amorosos, com sofrimento em vários aspectos do viver, como relacionamentos, estudos, trabalho.

Sobretudo, vale lembrar que não se faz algo definitivo, sem volta, para lidar com um sofrimento transitório. Vale acreditar na vida!

 

 

 

 

 

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